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26 janeiro, 2011

O CENTENÁRIO DA ASSEMBLÉIA DE DEUS NO BRASIL E A TRAJETÓRIA DO APÓSTOLO JOÃO: HISTÓRIAS DO PASSADO, RESPOSTAS PARA O FUTURO

Diante deste ano em que comemoramos o centenário da Assembléia de Deus no Brasil, lembrei-me de um fato no mínino interessante: o apóstolo João morreu exatamente no ano 100 d.C.
Impossível não reconhecer que João tem muito a nos dizer nesta data significativa. Sua visão é profunda o suficiente para revelar a verdade sobre nosso passado e presente, e, ainda, profética ao ponto de lançar luz na direção dos nossos próximos 100 anos de história, se Cristo não voltar.

Visões e experiências reveladoras que o apóstolo João teve com Jesus, com a história e com a igreja


Logo em seu primeiro encontro com Jesus, João deixa seu pai e os negócios de sustento da família para trás, e parte para seguir o desconhecido, deixando-nos uma lição de desprendimento e fé. Esta foi a postura dos primeiros convertidos de nossa igreja. Em uma época de verdadeira aversão à fé pentecostal, somente uma experiência profunda com Deus poderia levá-los a uma decisão como esta.




João presenciou os inúmeros milagres no ministério de Jesus, bem como no ministério do colégio apostólico do qual ele mesmo fazia parte. Foram verdadeiras manifestações da graça e poder de Deus que suscitavam a fé de muitos pecadores. Nestes nossos 100 anos de história foram muitos os milagres. Há que se preservar, porém, a simplicidade de nossos primeiros missionários, pois eles não aceitavam a glória pelos milagres. É triste constatar que alguns ministros de hoje fizeram deles (os milagres), vitrines e comerciais de autopromoção. Não foi isso que João viu em Jesus, pois o mestre, por vezes, ordenava aos curados que a ninguém o dissessem (Lc 5.14). Se não tivermos o mesmo foco de Jesus, glorificar somente a Deus através dos milagres, eles ficarão cada vez mais escassos.




O discípulo amado teve também o privilégio de assentar-se nos bancos da escola teológica do Mestre dos mestres por várias vezes. Sermões, parábolas e atitudes didático-pedagógicas de Jesus nortearam o ministério do apóstolo do amor. Tendo testemunhado a importância que Jesus dava para o ministério do ensino, se visse o quanto alguns de nós desprezam tal ministério, talvez diria: “Não provém o vosso erro de não conhecerdes as escrituras?...” (Mc 12.24) Louvado seja Deus pelos verdadeiros mestres que temos hoje, ainda.




Dentre os discípulos, João foi o único a ver, de perto, Jesus na cruz. Ele nos poderia falar sobre a mensagem da cruz como ninguém. Este filho de Zebedeu esteve à mesa com Cristo na última páscoa. Nesta cena somos constrangidos a repensar o nosso amor e a nossa capacidade de conviver em comunhão com Cristo e com Seu corpo. Agora, diante da cruz, ele vê o próprio corpo de Jesus sendo partido como o pão, e o seu sangue sendo derramado como o vinho. Na cruz se encontraram o amor, a graça e a salvação para todos. Diante deste quadro fica-nos fácil compreender que só chegamos até aqui (2011 d.C) por causa dela, a cruz de Cristo. E só poderemos prosseguir se for por ela, o punhal que feriu o crânio da morte, a saber, o calvário.




Nosso apóstolo foi o primeiro a chegar ao sepulcro vazio, e o próprio texto (Jo 20.8) traz-nos um detalhe importante, “... e creu.” Assim como sua esperança renasceu ao testemunhar a ressurreição de Jesus, por certo o apóstolo do amor lançaria um olhar de esperança na direção do futuro. Folhando nossa Harpa Cristã, provavelmente seus olhos repousariam sobre o hino n° 545: “Porque Ele vive, posso crer no amanhã...”. Então, que venham os próximos 100 anos.




O evento do pentecostes inspirou a tônica da missão de nossos desbravadores suíços, a obra do Espírito Santo. O poder do Espírito sobre os que se reuniam no cenáculo, o sermão de Pedro e as primeiras conversões certamente marcaram para sempre o coração de João. Se ele visse o quanto, hoje, somos capazes de separar o poder do Espírito da pregação do evangelho, ficaria abismado. O poder de Deus vem com o propósito de nos levar aos perdidos, e não com o propósito de nos prender no templo, mantendo-nos “espiritualmente” acomodados. João contemplou e fez parte de uma igreja missionária, pois nem mesmo a perseguição os impediu de ganhar almas, pelo contrário, ela os levou ao mundo. Cada crente deve ser um evangelista. Foi com este sentimento que Daniel Berg e Gunnar Vingren pregaram o evangelho neste país, cem anos atrás. Sigamos tais belos exemplos.




João observou os fatos históricos de sua época. A morte de Herodes e a revolta judaica, por exemplo. A glória que Herodes chamou para si levou-o para a sepultura (At 12.23). A visão humana e meramente política que os judeus tinham a respeito do reino de Deus levou-os a se revoltarem contra o império romano, e isso lhes custou a destruição da cidade e do templo de Jerusalém, façanha romana conquistada sob o comando militar de Tito. Certamente João lembrou-se das lágrimas que Jesus derramou quando olhava para Jerusalém e profeticamente contemplava esta tragédia consumada no ano 70 d.C. João viu o quanto uma religião (mesmo instituída por Deus) apegada ao sistema está fadada a perder a visão espiritual e deixar passar a redenção para abraçar a destruição. Esta verdade nos é elucidada quando lemos a lamentação de Cristo, o Messias:



_Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te foram enviados! Quantas vezes eu quis reunir teus filhos como a galinha ajunta os de seu próprio ninho debaixo das asas, e vós não o quisestes! Eis que a vossa casa ficará deserta...



Enquanto formos uma assembléia de Deus, estaremos seguros debaixo de Suas asas, mas se um dia nos tornarmos assembléia de homens, a destruição virá.




Como se não bastasse, o discípulo amado teve conhecimento da morte dos 11 apóstolos, e também da morte de Paulo, pois ele, João, foi o último a morrer. Confesso que não consigo escrever tais palavras sem sentir meu coração embargado de emoção. Uma geração vai, mas que geração é esta que vem? Estamos prontos a assumir a responsabilidade e levar a missão adiante? João, certamente faz parte da “tão grande nuvem de testemunhas (Hb 12.01)” que assiste ao desenrolar da história, e qual será o papel que estamos assumindo nela? Dentre as sete igrejas descritas por João, de qual delas fazemos parte? Oro a Deus para que Seu Espírito me guie a toda a verdade, para que ao fim da caminhada eu possa dizer algo como: “pelo que... eu não fui desobediente a visão celestial” (At 26.19), “combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé (II Tm 4.7)”.




Este é o ano de comemorarmos nosso centenário, evidentemente não podemos nem vamos deixar de fazê-lo. Mas, quando, pois, vier o Filho do homem, nos próximos cem anos, se é que teremos tanto tempo assim, por ventura achará fé na terra? Ao certo, eu não sei. Em Patmos o discípulo amado viu o Apocalipse. O que fez da igreja primitiva uma igreja vencedora foi a esperança que tinham de que a volta de Cristo não tardaria. Sinto-me seguro em lhes afirmar que eles não pensavam nos próximos cem anos (era tempo demais para eles), e sim nos próximos instantes. O fim vem, e João o viu, quem tem ouvidos, ouça:




“E agora, filhinhos, permanecei nele, para que, quando ele se manifestar, tenhamos confiança e não sejamos confundidos por ele na sua vinda” (I Jo 2.28).

“Este é o discípulo que testifica dessas coisas e as escreveu; e sabemos que o seu testemunho é verdadeiro” (João 21.24).Éder Billy Carvalho... A todos, Graça e Paz!!!

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