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01 abril, 2011

SANTIDADE AO SENHOR


Porque devemos ser santos?

Se Deus fizesse essa pergunta ao salmista, uma de suas respostas seria: porque “Fidelíssimos são os Teus testemunhos; à Tua casa ‘convém’ a santidade...” (Sl 93.5). Devemos ser santos porque convém que o sejamos.
Outra razão pela qual devemos ser santos é expressa nas palavras que o apóstolo Paulo escreveu aos coríntios. A frase é clara e incisiva: fomos “‘chamados para ser santos’” (I Co 1.2).
Ainda fazendo citação de Paulo, em I Tessalonicenses, capítulo 4 e verso 3, está escrito que Deus “quer” que sejamos santos, “pois esta é a vontade de Deus: a ‘nossa’ santificação”.
Já no livro de Josué, as palavras que Deus lhe dirigiu não foram em tom de pedido, instrução ou desejo, mas em tom imperativo: “Dispõe-te, santifica o povo e dize: ‘Santificai-vos...’” (Js 7.13). Ao Seu povo e aos Seus servos, Deus “ordena” a nossa santificação.
Como podemos ser santificados? Quais são as fontes da santidade?
1-      A palavra de Deus: A primeira fonte de santificação que quero listar é a palavra de Deus. É fácil reconhecer o poder purificador das escrituras analisando as seguintes palavras de Jesus: “Pai... Santifica-os na verdade; a Tua palavra é a verdade” (Jo 17.17). Não há como negar: a palavra de Deus lava nossa mente e coração.

2-      A Glória de Deus: “... para que por minha glória sejam santificados” (Ex. 29.43). Deus deixou claro nesta passagem que Sua glória é capaz de santificar Seu povo. Na inauguração do templo de Salomão, a glória do Senhor encheu a casa. Os sacerdotes não conseguiram ficar de pé quando isso aconteceu (I Rs 8.11; II Cr 5.14), o que nos leva a entender que a glória de Deus faz toda a carne humana (inclinação para o mal) cair por terra. A bíblia diz que (ainda na inauguração do tabernáculo de Salomão) quem estava fora não conseguia entrar (II Cr 7.2). Isso quer dizer que quando esta glória enche o templo do Espírito Santo, que é o coração da pessoa que foi salva e passou a ser habitação de Deus, a glória preenche todos os vazios, não deixando espaço para o pecado, e tudo o que está fora (no ‘mundo’) não pode mais entrar. Foi em uma impactante experiência com a glória do Senhor (Is 6. 1-4) que Isaías teve seus lábios purificados (v.7), e assim se viu apto para dizer “eis-me aqui (v.8)” e ser enviado por Deus como profeta aos homens (v.9). 

3-      Deus, o Criador: O próprio Deus, como criador, tem o poder de santificar o homem. Esta verdade espiritual está claramente exposta nas palavras de Davi: “Cria em mim ó Deus, um coração puro” (Sl 51.10). Deus não precisa de matéria prima para criar qualquer coisa. Ele tem poder para, do nada, trazer à existência o que não existe. Se for precisa ele tira do homem o seu corrompido coração de pedra, e, para pôr no lugar, o Senhor cria um novo e puro coração.
Tendo respondido biblicamente as perguntas “porque devemos ser santos”, e “como podemos ser santificados” (ainda que de maneira sucinta), devemos agora definir o que é santidade. E a melhor forma de fazer isso de maneira não exaustiva é começar dizendo o que não é santidade.
1-      Santidade não é alienação ou isolamento: Muitas pessoas, quando pensam em “um homem santo”, logo imaginam um monge que fica em seus templos erigidos no alto das maiores montanhas, longe das pessoas e da vida urbana. Este modelo de santidade não é o modelo proposto na bíblia para os discípulos de Jesus. Se procurarmos na bíblia um personagem que se assemelhe à figura dos monges tibetanos de hoje, facilmente lembraremos de João Batista. Ele usava roupas diferentes das pessoas comuns, se alimentava de mel silvestre e gafanhotos (algo nada parecido com a alimentação da população em geral) e vivia no deserto onde pregava a palavra de Deus. A diferença entre João Batista e os monges, é que João realmente havia sido chamado para ser santo “no deserto”, longe dos lugares de maior concentração de pessoas (portanto ele estava certo em se isolar), enquanto que os monges estão errados em se alienarem do mundo. A profecia bíblica que se referia a João dizia: “...voz do que clama no deserto (Is 40.3)”, logo, o campo missionário que Deus designara a João era exatamente o deserto. A palavra santidade significa “separação”, mas, devemos ser separados do que, do pecador ou de pecado? Somos discípulos de Jesus ou de João Batista? Jesus nunca precisou se isolar das pessoas para ser santo. Ninguém jamais foi perfeitamente santo como Jesus, todavia, o nazareno não viveu alienado da sociedade. Ele foi visto conversando com uma samaritana promíscua, ele foi visto entre os doentes e pobres, e entre os publicanos e pecadores. Jesus tocou o leproso, mas não se tornou leproso, e sim, o leproso é que ficou curado. Por isso ele disse: “entre os nascidos de mulher, ninguém apareceu maior do que João Batista; mas o menor no reino dos céus é maior do que ele” (Mt 11.11). Jesus estava explicando que João representava o antigo modelo de santidade, pois ele foi o último dos profetas. Mas o reino dos céus implantado por Jesus exigia um novo modelo de santidade. Um modelo que separe o santo cristão do pecado e não do pecador, e neste novo modelo e neste reino, até o menor é maior do que João Batista. Façamos como os discípulos de João que o deixaram e passaram a seguir Jesus. Sejamos separados do pecado, mas não do pecador, pois santidade não é alienação.

2-      Santidade não é religiosidade: O lema estampado e exposto sobre a testa do sacerdote no Antigo Testamento é “Santidade ao Senhor”, e não aos homens (Ex 28.36). O conceito de santidade praticado pelos fariseus do tempo de Jesus foi duramente criticado por Cristo porque aqueles homens amavam o aplauso humano conquistado por um exibicionismo explícito praticado por eles mesmos. Era um exibicionismo descarado de supostas virtudes espirituais e morais. Eles oravam em voz alta, olhando para o céu e dizendo a Deus que eram dizimistas e “não pecadores”. Eles jejuavam e mantinham uma aparência abatida, para que todos vissem e soubessem que eles estavam sofrendo com a fome “por amor à religião”. Jesus denuncia tudo isso dizendo que o lugar ideal para a oração é o oculto do quarto, e não as praças públicas. Paulo instrui Timóteo dizendo-lhe que procure apresentar-se a Deus (II Tm 2.15), e não aos homens, como obreiro aprovado. Definitivamente, hipocrisia e religiosidade, em nada se parecem com a verdadeira santidade.

   
3-       Santidade não é perfeição Paulo inicia suas cartas referindo-se aos destinatários como “chamados para a santidade”, “santos”, “santificados em Cristo”, etc. Mas, no decorrer destes tratados, o apóstolo expõe as fraquezas, falhas e pecados destas mesmas pessoas, as quais introdutoreamente ele considerou santas. Todos nós fomos santificados em Cristo, mas se dissermos que não pecamos, estamos mentindo, e mentir é pecado. Ora, não foi Davi o homem segundo o coração de Deus? O próprio Deus testifica deste homem dizendo: “Achei a Davi”. Contudo, este mesmo homem cometeu um terrível pecado. Porque tudo que há no mundo é a concupiscência dos olhos, a concupiscência da carne e a soberba da vida (I Jo 2.16). Com a concupiscência dos olhos ele viu Bateseda e cobiçou-a. Com a concupiscência da carne ele trouxe-a para si e tomou-a, e com a soberba da vida ele mandou matar Urias, marido de Bateseba. Indubitavelmente, Davi não foi perfeito. Porém, escrevendo o salmo 51, Davi expressa todo o seu sincero arrependimento: “Pequei contra Ti... e fiz o que é mal perante os Teus olhos... em pecado me concebeu minha mãe...”. Um santo é um homem pecador e imperfeito que quando erra, arrepende-se, e levanta-se para prosseguir a caminhada de santidade ao Senhor. Santidade cristã não é perfeição. Se Deus nos cobrasse perfeição, onde estaríamos? Por isso Ele nos diz: Filhinhos, não pequeis, mas se pecardes e confessardes os vossos pecados, Ele é fiel e justo para vos perdoar, pois o sangue do Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo vos purifica de todo o pecado.     
O que é ser santo?
                Ser santo é ser sedento de Deus.  
“Quem subirá (passo a passo) ao monte do Senhor? Quem há de permanecer no Seu santo lugar? O que é limpo de mãos e puro de coração, que não entrega a sua alma à falsidade, nem jura dolosamente” (Sl 24. 3-4)
                Limpo de mãos, puro de coração, livre de falsidade e verdadeiro em todo o seu falar, são quatro características de santidade encontradas no verso supra-citado. Todas elas são características encontradas na pessoa que está disposta a subir ao monte do Senhor.
                O texto não está dizendo que após subir ao monte do Senhor, o homem receberá mãos limpas, coração puro, etc. O texto está dizendo o contrário. O homem que for purificado e santificado pela palavra de Deus, por Sua glória e por Seu poder criador, recebendo assim limpeza para suas e mãos e principalmente um coração puro, este homem é que terá a sede pela presença de Deus, capaz de levá-lo a subir ao monte do Senhor, passo a passo.
                Só quem tem fome e sede de Deus é capaz de “pagar o preço” de subir ao monte do Senhor. Se queremos vencer a indiferença espiritual, a auto-suficiência, e a falta de sede de Deus, precisamos compreender e viver este grande lema da bíblia, a saber: Santidade ao Senhor!

Éder Billy Carvalho
A todos, graça e paz!!!

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