A Visão de Deus
A glória que não se desvanece
No texto de Paulo (1Co 3.7-18), está escrito que Moisés trazia um véu
sobre o rosto, por causa da glória de Deus que vinha sobre ele, quando ele
encontrava-se com Deus - mas esta mesma glória se desvanecia pouco a pouco (Ex
34.28-35). Paulo então diz que a glória que nós temos hoje, não se desvanece,
pois ela é Cristo que em nós habita, ela é o Espírito que nos revela a Verdade.
A glória
no rosto de Moisés era apenas o resquício do esplendor da presença de Deus.
Mas, quando ele pediu para ver a glória de Deus, o Senhor o respondeu que faria
passar por ele toda a Sua bondade. Segundo
Ariovaldo Ramos, a bondade de Deus se manifestou em Sua plenitude na pessoa de
Jesus Cristo. (Ex 33.19-23). Por isso dizemos que a nossa glória, hoje, não se
desvanece, pois desde que abrimos o coração para Cristo, Ele habita em nós, e Ele é
em nós essa glória eterna.
Muito
diferente disso, os judeus não
convertidos não conseguiam enxergar Cristo na Escritura, o que mostra que também eles ainda carregavam um véu sobre o rosto. Nós,
porém, que nos convertemos a Cristo, estamos com o rosto descoberto, o que nos
permite ver o Cristo Eterno.
Pessoas ou coisas?
O cego de Betsaida
foi ministrado, e passou a ver os homens como árvores, e não como homens. E é
mesmo assim a visão de quem olha através do véu da religião. Através do véu, a
visão não é clara. Os rostos perdem seus traços, suas feições, características,
peculiaridades, sentimentos, etc. Através do véu da religião você só enxerga
árvores que podem ser cortadas e transformadas em cadeiras, folhas de papel, ou
em qualquer coisa ou objeto rentável e útil. Através do véu você só enxerga o
volume e a cor da lã da ovelha, e não o rosto dela. Quando olhamos através do
véu, as pessoas deixam de ser pessoas para nós, e passam a ser coisas –
meramente coisas (sem valor). A religião sem candelabro (Ap 2.4-5)
nos rouba o amor, nos insensibiliza, nos catequiza nos dogmas da indiferença,
da hipocrisia e da soberba. A religião sem candelabro (igreja sem Espírito
Santo) nos arrasta para longe da cruz, onde o véu permanece intacto, Cristo não
revelado, e a morte pelo pecado reinando soberana.
Arrepende-te de onde caíste
Mas se dissermos “sim” ao convite radical de Jesus,
arrependermo-nos de todo o nosso pecado, hipocrisia e prepotência, voltando ao
Amor (Deus), ao evangelho e à cruz, então continuaremos sendo Igreja do
candelabro, Igreja no Espírito Santo do Senhor, Igreja do Amor. Já não haverá
impedimento algum, pois a cruz é o punhal que rasga o véu, e nos permite ver a
Cristo, que, mantendo-nos nEle mesmo, nos transforma de glória em glória,
segunda a Sua santa e magnífica Imagem. Se dissermos “sim” ao convite radical
de Jesus, Ele removerá o véu e nos curará de nossa visão deficiente, e poderemos
ver as pessoas como Deus as vê – teremos a visão de Deus.
A
visão de Deus
Segundo Lutero, Deus nunca olha para cima[1],
pois a grandeza e a altura dEle não tem limite – ninguém é maior do que Ele. Da
mesma forma, Deus nunca olha para os lados, pois não há ninguém como Ele. A
visão de Deus sempre se projeta para baixo. Ele contempla os pequeninos. Ele
olha para os humildes. Ele cuida dos desamparados. Ele consola os contristados
(Sl 51.17). Ele está perto daqueles que tem um coração quebrantado (Sl 34.18).
Mas, ao contrário de tudo isso, Ele resiste e abate os soberbos (Is 2.12). A
visão através do véu gera soberba – a síndrome de Lúcifer, que ser como Deus
– e a soberba invoca a ira e o juízo de Deus. Ser transformado de glória em glória
significa olhar para baixo e viver de acordo com essa visão – que é uma visão
que vem de Deus. Olhar para baixo significa importar-se, compadecer-se e amar
os pequeninos, os humildes, os podres, os rejeitados e excluídos, os que estão
nos lugares mais baixos da terra. Quanto mais olharmos para baixo, tanto mais
veremos o que Deus vê.
Quando olhamos para baixo
Quando olhamos para baixo, em missão, sem véu, enxergamos os pequeninos,
e nos olhos deles, podemos contemplar um rosto Deus. “Porque tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de
beber; era estrangeiro, e hospedastes-me;
Estava nu, e vestistes-me; adoeci, e
visitastes-me; estive na prisão, e fostes ver-me. Então os justos lhe responderão, dizendo: Senhor,
quando te vimos com fome, e te demos de comer? ou com sede, e te demos de
beber? E quando te vimos estrangeiro, e
te hospedamos? ou nu, e te vestimos? E
quando te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos ver-te? E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo
que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes” (Mt 25.35-40).
Transformados
de glória em glória
Santidade
Ser transformado de glória em glória significa ser santo,
pois, segundo o texto de 2Co 3, só é transformado de glória em glória quem anda
com o rosto descoberto, e se alguém está com o rosto descoberto, é porque
descobriu a Liberdade do Espírito. Enquanto houver o véu, não haverá liberdade.
Mas se o Filho nos libertar, verdadeiramente seremos livres (Jo 8.36). Somente
Cristo pode remover o véu e nos fazer livres em Sua presença – livres para
chegar ao santíssimo lugar. Onde o Espírito do Senhor está, ali há liberdade.
Ele nos faz livres do pecado e seus desejos e inclinações malignas.
Missão
O que acontece nesse processo é que o Senhor nos leva a
trilhar um novo caminho, pois no momento em que o nosso rosto é descoberto,
recebemos a visão de Deus, e então podemos trilhar o caminho dEle – de glória
em glória – enxergando as pessoas (os perdidos e os pequeninos). Façamos a obra
de Deus segundo a Sua visão de ministério para nós.
“Pelo que, ó rei Agripa, eu não fui
desobediente à visão celestial” (At 26.19).
A Ele seja a glória para sempre, amém!
Éder Carvalho
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