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29 abril, 2011

Vinho Novo novamente, Vinho Novo em novas mentes


VINHO NOVO NOVAMENTE


Mensagem baseada no contexto bíblico de Joel 1.1 – 2.24
A vide se secou, a figueira se murchou; a romeira também, e a palmeira e a macieira; todas as árvores do campo se secaram, e a alegria se secou entre os filhos dos homens. (Jl 1.12)
            O profeta Joel está descrevendo o resultado devastador de um ataque de gafanhotos sobre as plantações de Israel. O juízo de Deus sobre os pecados de Seu povo veio através desse exército de gafanhotos que destruiu todas as árvores frutíferas, e entre elas estavam as videiras, de onde se produzia o vinho. O verso transcrito acima deixa claro que o vinho simboliza a alegria, pois nos é dito que quanto as videiras se secaram, a alegria também foi embora.
            Na vida do cristão, os gafanhotos podem simbolizar as dificuldades da vida e os desgastes do dia a dia, mas eles simbolizam principalmente a provação e o juízo que vem de Deus. Deus prova a quem ama, assim como um pai disciplina o filho amado, para que este aprenda importantes lições de vida. Entender este texto desta forma é importante para que fique claro que Deus não quer nos ver sem alegria. O Senhor só permite algo assim por causa de nossos erros e pecados, pois o projeto inicial dEle para Seu povo era mantê-lo sempre abastados de vinho. Não fosse a culpa do próprio povo, os gafanhotos não seriam enviados.
            Esta interpretação também não quer dizer que a teologia da retribuição seja a única pedagogia utilizada por Deus em toda e qualquer situação. As vezes, e na verdade muitas vezes, por causa de Sua misericórdia e amor, nós não recebemos de Deus o juízo merecido por nossos erros. Isto fica claro na Bíblia quando observamos que foram muitas as vezes que Israel pecou, mas poucas as vezes que foram disciplinados por meio da adversidade. Se Deus fosse castigar os israelitas por cada pecado que cometeram, este povo jamais teria saído do caos. Eles não haveriam experimento tempo algum de prosperidade e paz, pois até mesmo nos tempos de glória que desfrutaram, os rebeldes e os idólatras continuavam sendo quem eram - rebeldes e idólatras, obviamente.
            Neste caso porém (no relato do livro de Joel), a hora da disciplina havia chagado, e ela veio nos “dentes” vorazes dos gafanhotos devoradores.
            Mas, no primeiro verso do capítulo 2, ouve-se um som de esperança, o som de despertamento da trombeta: “Tocai a trombeta em Sião, e dai o alarme no meu santo monte...”.
            Sem despertamento não pode haver a restituição do vinho novo.
            O verso 12 do capítulo 2 deixa claro que, para que Deus nos envie o vinho novo novamente, precisamos voltar a Ele, pois Ele diz: “Convertei-vos a Mim”.
            O mais importante neste versículo é que Deus espera que voltemos a Ele com sinceridade de coração, e não apenas por conveniência. Ele diz: “... Convertei-vos a Mim de todo o vosso coração; e isso com jejuns e com choro e com pranto”.
            O jejum, o choro e o pranto são apontados como evidências da sinceridade. Choro e pranto revelam um coração contrito e quebrantado (bem-aventurados os que choram porque eles serão consolados – Mt 5.4). E sobre o jejum, o teólogo e pastor batista John Piper nos ensina com muita propriedade dizendo: “Jejum é fome de Deus”.
            Se voltarmos a Deus com sinceridade de coração, “Então, o Senhor terá zelo de Sua terra e se compadecerá do Seu povo. E o Senhor responderá e dirá ao Seu povo: Eis que vos envio o trigo, e o vinho novo (mosto)...” (Jl 2.19).
            “Por que podemos crer que de fato receberemos o vinho novo novamente? Porque esta é uma promessa divina, e Deus sempre compre Suas promessas”.
            “E as eiras se encherão de trigo, e os lagares ‘transbordarão’ de vinho novo e de óleo” (Jl 2.24)
            Deus está dizendo que, se voltarmos a Ele com sinceridade de coração, nossos lagares transbordarão de vinho novo. Vinho que representa a alegria, o sabor e a cor da vida, pois o Filho do homem, Jesus Cristo, veio para que tivéssemos vida, e vida em abundância (Jo 10.10). Quem receber e praticar esta Palavra, experimentará e receberá muito vinho novo. Seus lagares transbordarão e sua vida será abundante e cheia de cor, sabor e alegria.

VINHO NOVO EM NOVAS MENTES

“Vieram, depois, os discípulos de João e lhe perguntaram: por que jejuamos nós, e os fariseus [muitas vezes], e teus discípulos não jejuam? Respondeu-lhes Jesus:
Podem, acaso, estar tristes os convidados para o casamento, enquanto o noivo está com eles? Dias virão, contudo, em que lhes será tirado o noivo, e nesses dias hão de jejuar. Ninguém põe remendo de pano novo em veste velha; porque o remendo tira parte da veste, e fica maior a rotura. Nem se põe vinho novo em odres velhos; do contrário, rompem-se os odres, derrama-se o vinho, e os odres se perdem. Mas põe-se vinho novo em odres novos, e ambos se conservam” (Mateus 9.14-17)   

            Em o Novo Testamento, o vinho novo ganha um sentido mais profundo nos ensinamentos de Jesus.
Para os hebreus do Antigo Testamento, o vinho (literalmente falando) era um motivo de orgulho e satisfação. Tratava-se do resultado do plantio que faziam em sua própria terra, o que era sinônimo de vida digna e honrosa.
Porém, o próprio Davi, longe de suas vinhas, quando fugia de Absalão pôde dizer: “Mais ‘alegria’ me puseste no coração do que a alegria deles, quando lhes há fartura de cereal e de vinho” (Sl 4.7). Este verso nos faz entender que a alegria gerada pelo vinho natural, é muito inferior à alegria que vem do Senhor, pois é espiritual.
Na nova aliança, inaugurada por Jesus, o vinho novo ganhou um sentido sobrenatural e espiritual.
O caráter sobrenatural do vinho novo
            Primeiramente, na festa de casamento em Caná, para a qual havia sido convidado, Jesus transforma água em vinho para não permitir que a alegria de um casamento acabasse. O 1° vinho servido no casamento, o vinho natural, acabou no meio da festa porque não era abundante (“E ... os lagares ‘transbordarão’ de vinho novo ... ” - Jl 2.24). O 2° vinho, o vinho novo de Jesus, era mais saboroso porque era sobrenatural.
O caráter sobrenatural do vinho novo faz dele o que de melhor podemos ter em nossas vidas. Nada, no mundo natural, pode ser melhor do que o Vinho Novo de Jesus.
A mente em foco (o caráter espiritual do vinho novo)
O segundo grande ensinamento que Jesus nos traz sobre o vinho novo está no texto base desta mensagem (Mt 9.14-17).
Respondendo a questão a cerca do jejum, Jesus fala sobre o vinho novo e sobre o odre novo. O pastor Éd René Kivitz explica esse texto com muita precisão: “As práticas piedosas (nessa passagem, o jejum é um exemplo desse tipo de prática), e as práticas religiosas devem ser resignificadas pela graça”.
Jesus é enfático em dizer que o jejum deve ser praticado somente depois que o noivo for tirado, ou seja, quando estiver vigorando plenamente a dispensação da graça. O verdadeiro jejum, em sua forma mais pura e agradável a Deus só pode acontecer depois que o indivíduo for salvo pela graça.
O jejum resignificado pela graça é um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, o qual Paulo também chama de culto racional. O que está em foco agora é a mente do homem. O apóstolo dos gentios prossegue o texto de Romanos 12.1-2 dizendo que o crente salvo pela graça (pois já no início do versículo 1, Paulo deixa claro que está falando com irmãos em Cristo) deve não se conformar com este mundo, mas transformar-se pela renovação do entendimento. Mais uma vez a mente é mencionada, e esta deve ser renovada para que possa experimentar o melhor de Deus. A mente renovada é o odre novo que está preparado para receber o delicioso vinho novo do Senhor. Somente uma mente renovada pode experimentar a maravilhosa vontade de Deus. O vinho novo, por sua vez, é essa boa, agradável e perfeita vontade de Deus. Saborear o vinho novo de Deus é experimentar Sua boa, agradável e perfeita vontade.
Aquele que recebeu esse vinho novo, sabe o que é saborear uma vida abundante, boa e agradável em Cristo, pois para isso Ele nos foi enviado.
Deus tem bons planos para nós (Jr 29.11), e se formos transformados em odres novos, poderemos ver esses bons planos se realizando em nossas vidas. A alegria, o sabor e a cor da vida estão no vinho novo que Ele de bom grado nos oferece, esta é a Sua vontade. Ser feliz é desfrutar uma vida segundo o coração e o querer de Deus.
Não perca esse tempo, não fique fora da vontade do Senhor. Sonhe os sonhos de Cristo para você. Este é o tempo de Deus derramar vinho novo em novas mentes.

A todos, Graça e Paz!!!
Éder Billy Carvalho


Fique à vontade para postar um comentário.

21 abril, 2011

A Páscoa, O Hallel, e o Cálice da Salvação


“E tendo cantado um hino, partiram para o monte das oliveiras. (Mateus 26.30)



Jesus resolveu fazer de sua última páscoa aqui na terra, a primeira ceia de um novo povo, dando a este costume anual, um novo sentido e eternas implicações. Jesus ressignificou a páscoa!


Jesus serviu a ceia a Judas, mesmo sabendo que Judas era o traidor. Que lição para nós! O Mestre não excluiu Judas da comunhão em nome da santidade. Judas se perdeu por vontade e escolha próprias. O amor de Jesus e a comunhão são a essência da verdadeira páscoa cristã.



Os judeus do tempo de Jesus mantinham o costume de cantar, na páscoa, um grupo de salmos chamado “O Hallel”. A palavra “hallel”, traduzida do hebraico significa “aleluia”. Na nossa Bíblia, estes salmos estão divididos e numerados como 113, 114, 115, 116, 117 e 118. Na estrutura original destes Salmos, todos eles começam com a palavra hallel, daí o nome. O Salmo 113 e o 114, que eram um só, eram cantados antes da refeição pascal. Os demais eram cantados após a refeição. Muito provavelmente seja este o hino mencionado em Mt 26:30.



Mesmo sabendo que o jardim das oliveiras o aguardava para um momento de angustiante clamor, Jesus não deixou de adorar a Deus na páscoa. Ele sabia que a cruz o esperava, e que nela sofreria a maior dor que se possa imaginar, mesmo assim, Jesus adorou ao Pai cantando “O Hallel”.


O Cálice da Salvação


Muitos judeus, naquela páscoa que precedeu a crucificação, cantaram estes mesmos salmos que Jesus cantou. Porém, muitos destes judeus estavam totalmente tomados pelo ódio, inveja e maldade. Tramavam a morte de Jesus e amargavam cada segundo que antecedia o momento em que poderiam assassiná-lo. Enquanto isso, Jesus cantava e louvava a Deus.


Enquanto os religiosos pensavam em assassinato e crueldade, Jesus cantava: “Erguerei o cálice da salvação” (Sl 116.13). O Mestre do amor queria a salvação da humanidade. Ele queria que cada ser humano pudesse participar da páscoa espiritual, a ceia da comunhão com Deus e com o próximo. Cristo desejava que cada pessoa no mundo pudesse salvar sua casa, marcando-a com o sangue que Ele próprio derramaria na cruz (Ex 12.7; Jo 1.29; I Jo 1.7). 


Enquanto os religiosos queriam usar a morte para vencer Jesus, Jesus queria vencer a morte para salvar os pecadores, inclusive os religiosos.


Para Cristo, páscoa sem amor não é páscoa. Páscoa sem vida eterna e sem comunhão não é páscoa. Ele morreu para que pudéssemos desfrutar uma vida abundante, cheia de amor e paz. A última páscoa do Messias nesta terra consistiu em erguer o cálice da salvação. Por isso, hoje podemos ser salvos, e este é o desejo do Pai.


Deus quer que você seja salvo, querido leitor. 

Se você já foi salvo, Deus quer que você cultive o amor que Ele Te deu, construindo assim a comunhão com o próximo. 
Se não compreendermos estas verdades, nada mais valerá a pena. Por isso, desejo a todos:

“Feliz Páscoa, feliz comunhão, muito amor e muita vida. Muita Vida!”.

De seus irmãos em Cristo

Éder, Monique e Hellen Cristina Carvalho.

A todos, Graça e Paz!

www.twitter.com/edercarvalho@edercarvalho_ 

07 abril, 2011

Tempo de Restauração


Salmo 126. 01

“Quando O Senhor trouxe os cativos de volta a Sião, foi como um Sonho”. (NVI)


            Ouço muitos pregadores falando de restauração como algo místico e surreal. Fala-se de restauração como algo que se passa unicamente na dimensão dos sentimentos, no interior do homem. É claro que a restauração também acontece na dimensão dos sentimentos, mas ela não se limita a isso. A verdadeira restauração é tão ampla, coerente e real, que quando acontece na vida de alguém, todos podem perceber.

Mas, afinal, o que é restauração?

            O primeiro verso do Salmo 126 traz ricas revelações sobre o real conceito de restauração. O leitor deve ter notado que a palavra “volta” está em destaque. Esta mesma palavra é substituída pela palavra “restaurou” na versão Almeida Revista e Atualizada:


“Quando o Senhor restaurou a sorte de Sião...”. 


         Por que uma tradução utiliza a palavra “volta”, e a outra tradução utiliza a palavra “restaurou”? Porque estas duas palavras têm a mesma raiz hebraica, a saber: Shîbâ. No hebraico, restauração e volta são sinônimos. Portanto, “restauração” significa “volta”.

         O salmo 126 nos mostra Deus em ação. O salmista está descrevendo como O Senhor restaurou Seu povo.
            No ano 539 a.C, Israel assiste o Senhor restaurando-lhes a sorte. O relato do Livro de Esdras deixa claro este fato histórico:

            “No primeiro ano do reinado de Ciro, rei da Pérsia, a fim de que se cumprisse a palavra do Senhor falada por Jeremias, O Senhor despertou o coração de Ciro para redigir uma proclamação e divulgá-la em todo o reino nestes termos: ‘Assim diz Ciro, rei da Pérsia:
          _O Senhor, o Deus dos céus, deu-me todos os reinos da terra... Qualquer do Seu povo que esteja entre vocês, que o Seu Deus esteja com ele e que vá a Jerusalém...’”. (Ed 1. 1-3)
           
            Analisando este contexto histórico, podemos concluir que a obra restauradora de Deus consistiu em levar Seu povo de volta à Sião, de volta para casa. Ser restaurado significa voltar para Sião.

Para nós hoje, o que significa voltar para Sião?

            Em todo o planeta terra, Sião era o lugar único que Deus designara para Seu povo habitar. Ou seja, Sião simboliza a vontade de Deus. Há um lugar preparado por Deus para cada um de nós, este lugar não é geográfico, e sim conceitual. Trata-se de um lugar que se harmoniza perfeitamente com a vontade de Deus para cada filho Seu. Só poderemos dizer que fomos restaurados quando o Senhor nos levar de volta à essência da vida cristã. A vida cristã só pode ser plena quando o cristão vive em sintonia com o querer de Deus para sua vida. A vontade de Deus é boa, agradável e perfeita (Rm 12.2). Sião representa o centro da vontade de Deus.

O que a Bíblia fala sobre Sião, e que simbolicamente, em paralelo com A Vontade de Deus, podemos aplicar para nós:

·        Terra da provisão: Em Sião temos nossas necessidades supridas, pois segundo a Bíblia, Sião é a terra que mana leite e mel (Dt 26.9).

·        Lugar de segurança e paz: A palavra Sião no original é “Tsîyon” que quer dizer lugar de defesa, elevação fortificada. Podemos então pensar que quando estamos em Sião, estamos em segurança, pois o Senhor é o nosso refúgio e fortaleza.

·        Habitação de Deus: Em Isaías 8.18, está escrito que Deus habita no monte Sião. Quem encontrar Sião, terá um encontro com Deus. Ser restaurado é ser levado ao lugar da habitação de Deus, é estar perto dEle, é estar em Cristo. Cristo é o ponto de encontro entre Deus e o homem.   

·        Intimidade com Deus: Referindo-se a Sião, Deus disse em Is 62.4 “Nunca mais te chamarão Desamparada, ...mas chamar-te-ão “Hefziba”, que quer dizer: “Minha - Delícia...”. Esta expressão me faz pensar em Intimidade. O lugar ao qual Deus considera uma delícia Sua, é o lugar onde agradamos a Deus. Habitando em Sião, O Senhor tem prazer em nossas vidas. Alegrar a Deus e agradá-lo é fazer Sua vontade.  

Sabendo agora que ser restaurado significa voltar ao centro da vontade de Deus, lugar de provisão, segurança e paz, habitação de Deus onde podemos ter intimidade com Ele, alguém pode estar perguntando:

_Como Voltar para Sião? Como podemos ser restaurados?

1)      Somente pela graça: O texto diz que O Senhor restaurou a sorte dos israelitas. Somente Deus tem poder para restaurar Seu povo. Ninguém além do Senhor conhece o caminho da volta para Sião. Somente Cristo pode nos levar a uma vida de intimidade real e profunda com Deus. Jesus disse que o Espírito Santo é que nos guiaria a toda a verdade (Jo 16.13) porque sabia que, por si mesmo, o homem não pode cumprir a vontade de Deus. Restauração é obra exclusivamente divina.

2)      Precisamos sonhar com Sião: O salmista nos informa que os cativos estavam sonhando com a restauração. Quando o Senhor os levou de volta a Sião, para eles foi como um sonho realizado. Será que estamos sonhando com uma vida de intimidade com Deus e harmonizada com Sua vontade? Tenho a impressão de que nossos sonhos se voltam mais para outras coisas. Buscamos com tanto empenho os bem materiais, o reconhecimento das pessoas, a satisfação de prazeres carnais, e tantas outras coisas banais. Deus quer nos restaurar, desde que queiramos ser restaurados. Os que buscam encontram, os que pedem recebem. Se clamarmos, Ele responderá (Jr 33.3). Se pedirmos, Ele concederá (Mt 7.7). O próprio profeta Jeremias, que profetizou a restauração de Judá (episódio em apreço), diz que o Senhor trouxe os cativos de volta, em resposta ao clamor deles: “E buscar-me-eis, e me acharei quando me buscardes com todo o vosso coração. E (então, quando vocês me buscarem de coração) serei achado de vós, diz o Senhor, e farei voltar os vossos cativos...” (Jr 13. 13,14).  

Verdadeiramente, é tempo de restauração. Porém, não existe restauração onde não há clamor e anseio. Os auto-suficientes não poderão presenciar o agir de Deus. Somente os quebrantados de coração e os que têm sede de justiça é que poderão conhecer a terra que mana leite e mel, lugar de intimidade com Deus, lugar ao qual podemos chamar - simbólica e poeticamente - Sião.

A todos, Graça e Paz!!!

Éder Billy Carvalho


    

01 abril, 2011

SANTIDADE AO SENHOR


Porque devemos ser santos?

Se Deus fizesse essa pergunta ao salmista, uma de suas respostas seria: porque “Fidelíssimos são os Teus testemunhos; à Tua casa ‘convém’ a santidade...” (Sl 93.5). Devemos ser santos porque convém que o sejamos.
Outra razão pela qual devemos ser santos é expressa nas palavras que o apóstolo Paulo escreveu aos coríntios. A frase é clara e incisiva: fomos “‘chamados para ser santos’” (I Co 1.2).
Ainda fazendo citação de Paulo, em I Tessalonicenses, capítulo 4 e verso 3, está escrito que Deus “quer” que sejamos santos, “pois esta é a vontade de Deus: a ‘nossa’ santificação”.
Já no livro de Josué, as palavras que Deus lhe dirigiu não foram em tom de pedido, instrução ou desejo, mas em tom imperativo: “Dispõe-te, santifica o povo e dize: ‘Santificai-vos...’” (Js 7.13). Ao Seu povo e aos Seus servos, Deus “ordena” a nossa santificação.
Como podemos ser santificados? Quais são as fontes da santidade?
1-      A palavra de Deus: A primeira fonte de santificação que quero listar é a palavra de Deus. É fácil reconhecer o poder purificador das escrituras analisando as seguintes palavras de Jesus: “Pai... Santifica-os na verdade; a Tua palavra é a verdade” (Jo 17.17). Não há como negar: a palavra de Deus lava nossa mente e coração.

2-      A Glória de Deus: “... para que por minha glória sejam santificados” (Ex. 29.43). Deus deixou claro nesta passagem que Sua glória é capaz de santificar Seu povo. Na inauguração do templo de Salomão, a glória do Senhor encheu a casa. Os sacerdotes não conseguiram ficar de pé quando isso aconteceu (I Rs 8.11; II Cr 5.14), o que nos leva a entender que a glória de Deus faz toda a carne humana (inclinação para o mal) cair por terra. A bíblia diz que (ainda na inauguração do tabernáculo de Salomão) quem estava fora não conseguia entrar (II Cr 7.2). Isso quer dizer que quando esta glória enche o templo do Espírito Santo, que é o coração da pessoa que foi salva e passou a ser habitação de Deus, a glória preenche todos os vazios, não deixando espaço para o pecado, e tudo o que está fora (no ‘mundo’) não pode mais entrar. Foi em uma impactante experiência com a glória do Senhor (Is 6. 1-4) que Isaías teve seus lábios purificados (v.7), e assim se viu apto para dizer “eis-me aqui (v.8)” e ser enviado por Deus como profeta aos homens (v.9). 

3-      Deus, o Criador: O próprio Deus, como criador, tem o poder de santificar o homem. Esta verdade espiritual está claramente exposta nas palavras de Davi: “Cria em mim ó Deus, um coração puro” (Sl 51.10). Deus não precisa de matéria prima para criar qualquer coisa. Ele tem poder para, do nada, trazer à existência o que não existe. Se for precisa ele tira do homem o seu corrompido coração de pedra, e, para pôr no lugar, o Senhor cria um novo e puro coração.
Tendo respondido biblicamente as perguntas “porque devemos ser santos”, e “como podemos ser santificados” (ainda que de maneira sucinta), devemos agora definir o que é santidade. E a melhor forma de fazer isso de maneira não exaustiva é começar dizendo o que não é santidade.
1-      Santidade não é alienação ou isolamento: Muitas pessoas, quando pensam em “um homem santo”, logo imaginam um monge que fica em seus templos erigidos no alto das maiores montanhas, longe das pessoas e da vida urbana. Este modelo de santidade não é o modelo proposto na bíblia para os discípulos de Jesus. Se procurarmos na bíblia um personagem que se assemelhe à figura dos monges tibetanos de hoje, facilmente lembraremos de João Batista. Ele usava roupas diferentes das pessoas comuns, se alimentava de mel silvestre e gafanhotos (algo nada parecido com a alimentação da população em geral) e vivia no deserto onde pregava a palavra de Deus. A diferença entre João Batista e os monges, é que João realmente havia sido chamado para ser santo “no deserto”, longe dos lugares de maior concentração de pessoas (portanto ele estava certo em se isolar), enquanto que os monges estão errados em se alienarem do mundo. A profecia bíblica que se referia a João dizia: “...voz do que clama no deserto (Is 40.3)”, logo, o campo missionário que Deus designara a João era exatamente o deserto. A palavra santidade significa “separação”, mas, devemos ser separados do que, do pecador ou de pecado? Somos discípulos de Jesus ou de João Batista? Jesus nunca precisou se isolar das pessoas para ser santo. Ninguém jamais foi perfeitamente santo como Jesus, todavia, o nazareno não viveu alienado da sociedade. Ele foi visto conversando com uma samaritana promíscua, ele foi visto entre os doentes e pobres, e entre os publicanos e pecadores. Jesus tocou o leproso, mas não se tornou leproso, e sim, o leproso é que ficou curado. Por isso ele disse: “entre os nascidos de mulher, ninguém apareceu maior do que João Batista; mas o menor no reino dos céus é maior do que ele” (Mt 11.11). Jesus estava explicando que João representava o antigo modelo de santidade, pois ele foi o último dos profetas. Mas o reino dos céus implantado por Jesus exigia um novo modelo de santidade. Um modelo que separe o santo cristão do pecado e não do pecador, e neste novo modelo e neste reino, até o menor é maior do que João Batista. Façamos como os discípulos de João que o deixaram e passaram a seguir Jesus. Sejamos separados do pecado, mas não do pecador, pois santidade não é alienação.

2-      Santidade não é religiosidade: O lema estampado e exposto sobre a testa do sacerdote no Antigo Testamento é “Santidade ao Senhor”, e não aos homens (Ex 28.36). O conceito de santidade praticado pelos fariseus do tempo de Jesus foi duramente criticado por Cristo porque aqueles homens amavam o aplauso humano conquistado por um exibicionismo explícito praticado por eles mesmos. Era um exibicionismo descarado de supostas virtudes espirituais e morais. Eles oravam em voz alta, olhando para o céu e dizendo a Deus que eram dizimistas e “não pecadores”. Eles jejuavam e mantinham uma aparência abatida, para que todos vissem e soubessem que eles estavam sofrendo com a fome “por amor à religião”. Jesus denuncia tudo isso dizendo que o lugar ideal para a oração é o oculto do quarto, e não as praças públicas. Paulo instrui Timóteo dizendo-lhe que procure apresentar-se a Deus (II Tm 2.15), e não aos homens, como obreiro aprovado. Definitivamente, hipocrisia e religiosidade, em nada se parecem com a verdadeira santidade.

   
3-       Santidade não é perfeição Paulo inicia suas cartas referindo-se aos destinatários como “chamados para a santidade”, “santos”, “santificados em Cristo”, etc. Mas, no decorrer destes tratados, o apóstolo expõe as fraquezas, falhas e pecados destas mesmas pessoas, as quais introdutoreamente ele considerou santas. Todos nós fomos santificados em Cristo, mas se dissermos que não pecamos, estamos mentindo, e mentir é pecado. Ora, não foi Davi o homem segundo o coração de Deus? O próprio Deus testifica deste homem dizendo: “Achei a Davi”. Contudo, este mesmo homem cometeu um terrível pecado. Porque tudo que há no mundo é a concupiscência dos olhos, a concupiscência da carne e a soberba da vida (I Jo 2.16). Com a concupiscência dos olhos ele viu Bateseda e cobiçou-a. Com a concupiscência da carne ele trouxe-a para si e tomou-a, e com a soberba da vida ele mandou matar Urias, marido de Bateseba. Indubitavelmente, Davi não foi perfeito. Porém, escrevendo o salmo 51, Davi expressa todo o seu sincero arrependimento: “Pequei contra Ti... e fiz o que é mal perante os Teus olhos... em pecado me concebeu minha mãe...”. Um santo é um homem pecador e imperfeito que quando erra, arrepende-se, e levanta-se para prosseguir a caminhada de santidade ao Senhor. Santidade cristã não é perfeição. Se Deus nos cobrasse perfeição, onde estaríamos? Por isso Ele nos diz: Filhinhos, não pequeis, mas se pecardes e confessardes os vossos pecados, Ele é fiel e justo para vos perdoar, pois o sangue do Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo vos purifica de todo o pecado.     
O que é ser santo?
                Ser santo é ser sedento de Deus.  
“Quem subirá (passo a passo) ao monte do Senhor? Quem há de permanecer no Seu santo lugar? O que é limpo de mãos e puro de coração, que não entrega a sua alma à falsidade, nem jura dolosamente” (Sl 24. 3-4)
                Limpo de mãos, puro de coração, livre de falsidade e verdadeiro em todo o seu falar, são quatro características de santidade encontradas no verso supra-citado. Todas elas são características encontradas na pessoa que está disposta a subir ao monte do Senhor.
                O texto não está dizendo que após subir ao monte do Senhor, o homem receberá mãos limpas, coração puro, etc. O texto está dizendo o contrário. O homem que for purificado e santificado pela palavra de Deus, por Sua glória e por Seu poder criador, recebendo assim limpeza para suas e mãos e principalmente um coração puro, este homem é que terá a sede pela presença de Deus, capaz de levá-lo a subir ao monte do Senhor, passo a passo.
                Só quem tem fome e sede de Deus é capaz de “pagar o preço” de subir ao monte do Senhor. Se queremos vencer a indiferença espiritual, a auto-suficiência, e a falta de sede de Deus, precisamos compreender e viver este grande lema da bíblia, a saber: Santidade ao Senhor!

Éder Billy Carvalho
A todos, graça e paz!!!