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17 dezembro, 2014

A essência do Natal em poucas palavras



Texto: Éder Carvalho

No nosso mundo é mais ou menos assim: quanto mais alguém se torna poderoso, mais ele se afasta dos fracos. Há um abismo quase que intransponível entre os ricos e os pobres, entre os grandes e os pequenos, entre os fortes e os fracos.

Porém, aquEle que é muito mais rico do que os ricos dessa terra, bem maior do que os grandes desse mundo, é infinitamente mais forte do que os fortes desta era, decidiu abrir mão de seu poder, riqueza e glória incomparáveis, para estar perto de nós.

Ele poderia, mas não quis ficar distante. Ele veio para ser tocado, abraçado, encontrado. Ele veio para nos tocar e abraçar, para buscar e salvar a humanidade perdida.

A essência do Natal é a vinda de Deus a nós, e a Vida de Deus em nós.
Jesus nasceu entre nós e foi encontrado em uma simples manjedoura para transpor a distância que havia entre Deus e os homens.
Sim, celebremos o Natal, Cristo está perto. Tão perto que pode fazer do nosso coração a Sua manjedoura.

Feliz Natal!

Mas o anjo lhes disse: “Não tenham medo. Estou trazendo boas-novas de grande alegria para vocês, que são para todo o povo: Hoje, na cidade de Davi, nasceu o Salvador, que é Cristo, o Senhor. Isto servirá de sinal para vocês: encontrarão o bebê envolto em panos e deitado numa manjedoura”. De repente, uma grande multidão do exército celestial apareceu com o anjo, louvando a Deus e dizendo: “Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens aos quais ele concede o seu favor”. Quando os anjos os deixaram e foram para os céus, os pastores disseram uns aos outros: “Vamos a Belém, e vejamos isso que aconteceu, e que o Senhor nos deu a conhecer”. Então correram para lá e encontraram Maria e José e o bebê deitado na manjedoura. (‭Lucas‬ ‭2‬:‭10-16‬ NVI)


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Outra mensagem sobre Natal:

Jesus e o Natal: alvos de contradição
http://edercarvalho.blogspot.com.br/2011/12/jesus-e-o-natal-alvos-de-contradicao.html


A todos graça e paz!

01 agosto, 2014

CD: REFÚGIO - Éder Carvalho


Em Agosto de 2014, no 12° Congresso Geral de Missões Siloé (IEADJO),
lançamos o CD intitulado "REFÚGIO".

Um CD com 10 canções que trarão inspiração e fortalecimento para a sua fé, com destaque para "A Canção do Semeador".
Todas as canções são de minha autoria. 
A produção musical também é minha e os arranjos musicais foram construídos por toda a equipe do estúdio Novo Rumo:

Misael Coelho (guitarrista)
Marcos Silva (Backing-vocall e mixagem/masterização)
Diego Jean Vicente (Bateria)
Tiago Moraes (Baixo)
Misa Júnior (teclados)
Carol Cris e Júnior Cardozo (Backing-vocalls) 
Éder Carvalho (voz e violão)

O lançamento aconteceu entre os dias 22 a 25/08/14 no Centreventos Cau Hansen.
(Abaixo você confere o banner que foi usado para a divulgação do evento)




Segue a música de trabalho, que tem cruzado muitas fronteiras, "A Canção do Semeador".





Á venda nas plataformas digitais: GooglePlay, I-tunes, Spotify...

Deus abençoe em Cristo Jesus

13 abril, 2014

O Maior Problema da Igreja


A igreja foi problemática quando foi liderada por Moisés.
A igreja foi problemática quando foi liderada por juízes.
A igreja foi problemática quando foi liderada por reis.
A igreja foi problemática mesmo quando Jesus instituiu a nova aliança e ordenou pastores e líderes (apóstolos, bispos, presbíteros, mestres, etc.)

Moral da história: a igreja sempre foi problemática não por causa dos sistemas que a organizaram, mas porque ela é formada por gente como a gente, e NÓS SOMOS PROBLEMÁTICOS.

Ouço muito pregadorzinho querendo dar uma de revolucionário, fazendo discursos sem densidade alguma (para não dizer medíocres e infantis) usando as palavras "religião" e "sistema".

O maior problema não está no sistema (nem no mundo, nem no diabo). O maior problema está em nós (eu, tu, ele, nós – a mim cabe ocupar-me do “eu”). E só há problemas nos sistemas porque nós mesmos construímos nossos sistemas. Não adianta sair e montar outro, porque este outro também será problemático. Com isso não quero dizer que devemos nos conformar com as falhas e injustiças nos nossos sistemas. Estou dizendo que "o maior" (não "o único") problema somos nós. Aliás, de certa forma, cada ser humano é um sistema. 
O maior problema está em nós, mas a maior solução também está em nós, a saber, o Senhor e Sua Palavra que habitam no coração daqueles que nasceram de novo.

Olhe menos para o sistema. Olhe mais para si mesmo, e diga:
"Eu preciso ser uma igreja mais pura, saudável e relevante".
Se assim procedermos diariamente, a reforma virá como consequência.

Foi Éder Carvalho, seu irmão em Cristo, com amor e temor.

Um forte abraço. Deus lhe abençoe sempre!

12 abril, 2014

"Além das Canções" na 107


O seguimento “Além das Canções: reflexões breves sobre a essência da adoração” vai ao ar de segunda a sexta, as 8h, com reprise as 22h, na rádio 107 http://www.1075fm.com.br/

O roteiro das reflexões segue a ordem das divisões clássicas da Bíblia Sagrada. Começamos refletindo sobre a essência da adoração com base nos livros da Lei, partindo para os livros históricos, e assim por diante.

Cada devocional tem a duração de mais ou menos 3 minutos.

Segue os 4 primeiros episódios por escrito:


#01 – Escrituras: Adoração é um dos temas mais importantes das Sagradas Escrituras. De Gênesis a Apocalipse ela marca presença. Todavia, para compreendermos as lições bíblicas sobre adoração, precisamos procurar além das canções.
Veremos no decorrer de nossos devocionais que a adoração não está presa à música, como muitos imaginam, e que na verdade a essência da adoração é a entrega. As implicações da adoração são tão amplas que a moldura da eternidade não seria grande demais para ela, uma vez que, desde sempre e para sempre, Deus existe e por natureza Ele é digno de louvor. Mas a adoração não se ocupa apenas da realidade cósmica e eterna da criação. Ela está presente também em cada detalhe da nossa vida. Para um verdadeiro adorador, tudo se transforma em adoração e glorificação ao Senhor: o café da manhã, o trabalho, os estudos, o passeio ao shopping, não esquecendo, é claro, dos cultos e da comunhão com os irmãos da fé na igreja.
Em nossa jornada, a luz do nosso caminho será a Palavra de Deus, pois como diz o Salmo 119 e o verso 7, só poderemos louvar ao Senhor com retidão, integridade e sinceridade de coração, quando conhecermos os juízos, diretrizes e ensinamentos justos da Sua Palavra.
Neste seguimento, intitulado “Além das canções: reflexões breves sobre a essência da adoração”, caminharemos pelas principais divisões didáticas da Bíblia Sagrada: os livros da Lei, os históricos, os poéticos, os proféticos, os evangelhos, e as cartas.
Você é nosso convidado especial para ir muito além das canções, e embarcar nessa viagem pela Bíblia, em busca da essência da adoração. E não se assuste se você der de cara com o Senhor. Na verdade, é precisamente isso que acontece quando encontramos a essência da adoração; um encontro com Deus.

#2 – Lei: Os livros da Lei são os cinco primeiros da Bíblia – Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio – também chamados de Pentateuco, ou, em hebraico, tôrâ, que significa basicamente “ensino”.[1]
Os livros da Lei nos trazem narrativas a respeito do que Deus fez como Criador e redentor da humanidade e do universo, narrativas das peregrinações dos servos de Deus bem como dos pecados da humanidade, e diretrizes divinas especialmente para aqueles a quem Ele escolheu para pertencerem ao Seu povo de aliança. “Através da Lei Deus mostra seu interesse por todos os aspectos da vida humana”.[2]
Quando os livros do Novo Testamento e o próprio Senhor Jesus Cristo se referem à Lei, quase sempre é para dizer que ela aponta para o Cristo, e que ela denuncia a incapacidade que o ser humano tem de salvar a si mesmo (Lucas 24:44-47; Romanos 3:10, 19-20, 5:20; Tiago 2:10).
Quando o homem pecou, sua comunhão com Deus foi rompida, pois Deus, sendo Santo, não pode tolerar o pecado. Os livros da Lei realçam a santidade e a justiça elevadíssimas de Deus, contrastando-as com o horror do nosso pecado. As exigências de Deus estão realmente muito acima da capacidade humana de cumpri-las (1Pedro 1:16; Isaías 6:3).
Mas, onde a adoração está presente nos livros da Lei? Do início ao fim. A começar por Adão, podemos aprender muitas lições sobre adoração. É possível perceber nas narrativas que mesmo aqueles que se distanciaram de Deus não deixaram de adorar, porém inevitavelmente acabaram se voltando para falsos deuses. Além disso, como já foi dito, a Lei exalta melhor que ninguém a santidade do Senhor. Quando falo sobre isso sempre uso a seguinte ilustração: a santidade de Deus realmente é absoluta. Assim como nada pode sequer aproximar-se demais do sol sem antes ser consumido pelo seu calor, assim o pecado não pode aproximar-se Deus, pois Ele é santo.
A Escritura vai dizer com clareza cada vez maior que o Criador empenhou-se em uma grande jornada para abrir-nos novamente o caminho para Ele. Sabemos que esse caminho é Cristo, que venceu o pecado na cruz do calvário. A Lei não pôde nos salvar, mas ela nos ajudou a entender um pouco melhor o quanto Deus é santo, o quanto somos pecadores e incapazes de chegarmos a Deus por conta própria, o quanto Deus nos ama – ao ponto de dar sua vida por nós – e, portanto, o quanto Ele é digno de todo nosso louvor, amor, e adoração.

#03 – Digno: A Bíblia Sagrada apresenta muitas razões para adorar a Deus: Ele é bom, é Amor, é soberano, Sua fidelidade dura para sempre, e esta lista poderia estender-se ainda muito mais. Mas deixe-me lhe dar um conselho: quando você estiver procurando razões para adorar a Deus, lembre-se e creia que Ele é digno de adoração (Apocalipse 5:12).
Em Deus, a palavra “digno” é tão forte que é simplesmente impossível estar diante dEle e não adorá-lo. Você já parou para imaginar como seria estar diante de Deus, face a face?  Tanto amor, tanta luz, tanta glória, tanta majestade, tanta beleza irradiando dEle! Ah! Simplesmente seria impossível não admirá-lo e exaltá-lo. Porém eu sei que você não viu nada disso – ainda. Por isso, saiba que este é o tempo de o adorarmos pela fé.
O Senhor decidiu não revelar toda Sua glória e Sua Face ao mundo – por enquanto. Neste tempo, Ele está dando-nos a oportunidade de crer no testemunho da Bíblia Sagrada, dos seus servos, e da própria criação (que sinaliza a sabedoria e o poder ilimitados de um Criador perfeito e soberano). O Senhor ainda não nos mostrou Sua Face gloriosa, mas a fé é a certeza das coisas que não se veem. Contudo, chegará O Dia em que Ele se manifestará por completo ao mundo, e todo olho O verá. Então, todo joelho se dobrará e toda língua confessará que Jesus Cristo é o Senhor (Romanos 14:11; Filipenses 2:10-11). Naquele Dia se cumprirão as palavras de Jesus: “bem aventurados os que não virão mas creram(João 20:29), porque eles receberão a gloriosa recompensa de viver para todo o sempre na presença de Deus. “‘Depois que a geração dos apóstolos desapareceu, todos aqueles que vieram a crer no Senhor crucificado e ressurreto creram sem ver, e para estes vale a bem-aventurança [...]. A fé é produzida em nós não pelo que vemos mas (como Paulo diz) ‘por ouvir a mensagem, e a mensagem que vem por meio da pregação a respeito de Cristo’”.[3]
A grande verdade é que a adoração é um ato de fé. Fé naquele que é eternamente e irresistivelmente digno de adoração. E como Jesus disse, “esta é a hora em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade(João 4:23). Então, não perca mais tempo. Creia e adore-o. Faça o que diz a Bíblia:
Ora, ao Rei dos séculos, imortal, invisível, ao único Deus seja honra e glória para todo o sempre. Amém!” (1Timóteo 1:17)

#04 - Adão:[4] É interessante notar que já no 1° livro da Bíblia podemos aprender muito sobre adoração. O autor sagrado diz que Deus e o homem tinham um verdadeiro relacionamento de comunhão. Eles caminhavam juntos e conversavam – batiam altos papos. Não havia medo nem conflitos. Adão não tinha nada para esconder do Senhor. O amor, a santidade e a intimidade eram a atmosfera do jardim do Éden. E é aqui que encontramos a essência da adoração bíblica. O próprio relacionamento de comunhão que Adão tinha com Deus nos revela essa essência. Adoração não é apenas um momento de culto no domingo à noite, onde as pessoas exaltam a Deus com palavras e canções. Muito mais que isso, adoração é uma vida com Deus.
A Bíblia diz que devemos andar em espírito, ligados com o Senhor o tempo todo, 24 horas por dia (Colossenses 3:1-3; 1Tessalonicenses 5:17). Quando entregamos nossa vida sem reservas ao Senhor Jesus, Ele entra no nosso coração e faz morada em nós. Ele não entra apenas para passar as férias e depois voltar para a sua casa nos céus. Ele vem para ficar. Por esta razão, só é possível ser um verdadeiro adorador passando pelo novo nascimento. Jesus afirmou que ninguém pode entrar no Reino de Deus se não nascer de novo. Portanto, quem nasce de novo passa a viver no Reino de Deus. Não se trata de uma rápida visita, mas de uma vida inteira. A Bíblia chama isso de vida eterna. Por isso a Escritura diz: “Se alguém está em Cristo, nova criatura é. As coisas velhas se passaram. Eis que tudo se fez novo(2Coríntios 5:17). A vida passa a ser uma adoração. A adoração passa a ser uma vida com Deus.
Querido ouvinte, o nosso Criador sempre estará pronto para ter comunhão com você. O melhor conselho que alguém pode lhe dar é: viva com Deus desde agora e para todo o sempre. Se assim for, você vai descobrir o que é ser um verdadeiro adorador, e vai conhecer a satisfação de desfrutar eternamente do incomparável amor de Deus. E eu posso lhe garantir: não há nada melhor.


Não deixe de acompanhar e de divulgar o seguimento
Além das canções: reflexões breves sobre a essência da adoração
Um forte abraço. Deus lhe abençoe sempre!
#AlémDasCanções




[1] HARRIS (org.), 1998, p.662.
[2] ____, p.662.
[3] BRUCE, 1987, p.337.
[4] Ler Gênesis 2:19, 25, 3:1-10.

07 março, 2014

Aprendendo com Jesus o que é avivamento


INTRODUÇÃO
O que é avivamento? O que é uma vida em genuíno avivamento bíblico?
Tenho um princípio de interpretação bíblica que aplico a todos os temas possíveis, o princípio de que devemos olhar para Jesus, pois Ele é o modelo e o referencial perfeito para a nossa vida. A partir desta perspectiva, podemos dizer que ninguém melhor que Jesus pode nos revelar o que é avivamento. Segundo Ariovaldo Ramos, “na visão de Jesus, a Igreja precisa de avivamento quando as ovelhas não estão vivendo em abundância”.[1] Então, vamos analisar a vida abundante de Jesus, a fim de traçarmos o perfil de um crente avivado, uma família avivada, e uma igreja avivada.

SETE CARACTERÍSTICAS DA VIDA ABUNDANTE DE JESUS

1) Jesus amava, conhecia, vivia e pregava a Palavra de Deus. Logo aos 12 anos ele foi visto no templo, entre os doutores das Escrituras, conversando com eles, fazendo-lhes perguntas e oferecendo-lhes respostas. E todos se maravilhavam com sua inteligência e seu conhecimento aguçado para as Escrituras (Lc 2:42-49). Não podemos separar a Palavra de Deus do Deus da Palavra. Jesus é Deus e também é a Palavra (Jo 1:1). Além disso, a verdade tem dois nomes na Bíblia Sagrada, a saber, Jesus e Palavra (Jo 14:6; 17:17), ou seja, o mesmo Jesus que é a verdade, é também a Palavra. Sendo assim, Jesus amava, conhecia, vivia e transmitia Deus em todo tempo e em todo lugar. Este é o primeiro ponto para uma vida de avivamento, para uma vida abundante.

2) Jesus honrava seus pais, e cresceu em graça e conhecimento diante de Deus e dos homens. Disso entendemos que uma vida de avivamento é uma vida que luta pelo bom relacionamento com a família e com a sociedade em geral. (Lc 2:51-52)

3) Jesus foi ungido pelo Espírito Santo e cheio do amor e do poder de Deus. Ele deixou isso claro quando afirmou que o profeta Isaías referia-se a Ele quando disse: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para pregar boas novas aos pobres. Ele me enviou para proclamar liberdade aos presos e recuperação de vista aos cegos, para libertar os oprimidos e proclamar o ano da graça do Senhor... e ele começou a dizer-lhes: ‘Hoje se cumpriu a Escritura que vocês acabaram de ouvir” (Lc 4:18,19,21). Vida abundante, vida em plenitude, é vida que se vive na plenitude do Espírito - amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio (Gl 5:22), poder e dons do Espírito (Atos 1 – 2:1-4; 1Co 12:4-11; Rm 12:6-8). Vida de avivamento é vida cheia do Espírito Santo de Deus.

4) Jesus foi um homem de oração. Lucas relata que Jesus “... retirava-se para lugares solitários e orava” (Lc 5:16). Logo no início do seu ministério, “Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo diabo” (Mt 4:1), onde permaneceu 40 dias em oração e jejum. R.A Torrey, com propriedade, diz: “As palavras “orar” e “oração” são usadas pelo menos vinte e cinco vezes em relação a nosso Senhor no breve registro da sua vida nos quatro evangelhos, e Sua oração é mencionada em lugares onde essas palavras não são usadas. Evidentemente a oração tomou muito do tempo e da energia de Jesus, e o homem ou mulher que não passa muito tempo em oração, não pode ser adequadamente chamado de seguidor de Jesus Cristo”.[2] 

5) Jesus jejuava com regularidade. A experiência dos 40 dias no deserto aconteceu em jejum (Mt 4:2). Jesus nos ensina que Jejum é fome de Deus, como bem observou John Piper.[3] Ele tinha certeza que após sua ressurreição e ascensão, nós, que somos seus discípulos, praticaríamos o jejum (Mt 9:15). Não pode haver avivamento se não tivermos fome de Deus e buscarmos ao Senhor em consagração.

6) Tão logo venceu a tentação do deserto, Jesus começou a pregar a mensagem do Reino (Mt 4:17), e a fazer discípulos (vs. 18-20). A vida abundante de Jesus incluía generosamente a missão evangelizadora e o discipulado. Discipulado envolve pregação, ensino, formação, oração, contribuição, missão, e sobretudo o exemplo. Os apóstolos fizeram o mesmo. Eles não ficaram apenas falando em novas línguas enquanto a multidão dizia que eles estavam embriagados. Eles se levantaram e pregaram a Palavra, receberam os quase 3000 novos convertidos e os inseriram na vida da igreja e no processo do discipulado. Um avivamento só pode ser sadio, relevante e autêntico se ele for marcado pela pregação, conversão de almas e discipulado.

7) Por fim, quero pontuar a diaconia. Jesus, o supremo Senhor do universo, veio, não para ser servido, mas para servir (Mt 20:28). A vida abundante de Jesus incluía a bacia com água, a toalha, e a atitude de lavar os pés dos discípulos (Jo 13:3-15). Ele foi ungido para servir e ajudar os necessitados, os pobres e os cativos. Os apóstolos fizeram o mesmo. Tinham tudo em comum e não havia necessitado entre eles, de tão eficaz que foi a diaconia da igreja de Atos (At 2:44-45; 4:32-34). Cornélio também ajudava os pobres com amor e piedade e isso chamou a atenção de Deus (At 10:1-4). Como resultado, toda a sua casa foi avivada (vs.24, 44). Como igreja, jamais devemos deixar de servir as mesas, ajudar os necessitados e demonstrar o amor de Deus pelos irmãos e pelo mundo.

Dito isso, quero caminhar para a conclusão dessa reflexão dizendo que o avivamento não deve ser uma realidade apenas na igreja ao redor do mundo, como muitos esperam que aconteça enquanto negligenciam suas próprias responsabilidades. O avivamento deve ser uma realidade em você, como indivíduo, assim como Jesus viveu uma vida abundante de avivamento. Esta também deve ser uma realidade na nossa família, como aconteceu com a família de Cornélio e do carcereiro de Filipos (At 16:25-34).

CONCLUSÃO
Não devemos terceirizar nossas responsabilidades. De nada adianta criticar a igreja brasileira, se o fogo do avivamento não estiver em nossa vida e em nossa casa. Precisamos ser referenciais históricos de que o avivamento não é um mito nem uma utopia.
Avivamento nada mais é do que vida abundante, vida em plenitude (Jo 10:10).
A vida abundante de Jesus em nós fará com que as pessoas vejam em nós 1) o amor, o conhecimento, a prática e proclamação de Deus e de Sua Palavra, 2) o amor que temos por nossa família e pelo próximo na dimensão da sociedade, 3) a plenitude do Espírito manifestada em nós, 4) a prática da oração, 5) a prática do jejum, 6) a prática da proclamação do Evangelho e do discipulado, 7) e a diaconia efetiva, apaixonada e relevante.

Sabemos, com base no livro de Atos dos Apóstolos, que o resultado e a implicação disso será a salvação de muitas almas, a comunhão e a edificação espiritual dos novos discípulos, e o Reino de Deus em todas as suas características manifestando-se em nossa família, igreja, cidade, estado, nação e mundo.
Clamemos e lutemos por uma vida de autêntico avivamento.

Um forte abraço. Deus lhe abençoe sempre!


A Ele seja a glória para sempre! Amém”. (Rm 11:36)   



[1] Extraído de <http://www.youtube.com/watch?v=6j2m8QnVfQY> Acesso em 04/03/2014.
[2] TORREY, R.A. Como orar. São Paulo: Mundo Cristão, 1980. p.9
[3] Citado por LOPES, H.D. em <http://hernandesdiaslopes.com.br/2008/06/jejum-uma-pratica-a-ser-resgatada/> Acesso em 05/03/2014.

05 fevereiro, 2014

Resenha do livro O CUIDADO NECESSÁRIO [BOFF, Leonardo.]


Resenha[1] de: BOFF, L.[2] O cuidado necessário: na vida, na saúde, na educação, na ética e na espiritualidade. Petrópolis, RJ: Vozes. 2012. p. 1-287.
Por: Éder Billy Carvalho[3]

            Em “O cuidado necessário”, Leonardo Boff discorre sobre a natureza, a importância, e as implicações do cuidado, nos relacionamentos humanos (saúde, afetos, educação, etc.), na espiritualidade, e na relação com a Terra como um todo (natureza, criação, universo).
Para quem conhece a militância do autor, era de se esperar que uma das palavras mais importantes nesta obra fosse sustentabilidade. Boff apresenta sustentabilidade em relação com cuidado.
Se a sustentabilidade representa o lado objetivo, ambiental, econômico e social da gestão dos bens naturais e de sua distribuição, o cuidado denota seu lado subjetivo, as atitudes, os valores éticos e espirituais que acompanham todo esse processo, sem os quais a própria sustentabilidade não se realiza adequadamente (p. 21).

Sustentabilidade “significa o uso racional dos recursos escassos da Terra, sem prejuízo do capital natural, mantido em condições de sua reprodução e de sua coevolução, considerando ainda as gerações futuras que também têm direito a um planeta habitável” (p. 20). Por que dar importância ao cuidado e à sustentabilidade? Simples: “ou fazemos uma aliança global para cuidar uns dos outros e da Terra, ou corremos o risco de nossa autodestruição e da devastação da diversidade da vida” (Unesco, 2003). Com efeito, “o cuidado se impõe para garantirmos a vida e sua continuidade” (p. 38). Boff elenca razões científicas para justificar o cuidado:
Já soou o alarme ecológico. O consumo ultrapassou 30% a capacidade de reposição dos bens e serviços da Terra. Em outras palavras, o planeta vivo, Terra, está perdendo sustentabilidade. A biodiversidade diminui dia a dia. São mais de cinco mil espécies de seres vivos que anualmente desaparecem definitivamente da face da terra. A escassez de água potável (só 0,7% dela é acessível ao consumo humano) constitui uma ameaça à vida de milhões e milhões de pessoas e a todos os seres vivos que precisam dela para sobreviver (p. 259).

O autor começa a definir cuidado como “uma arte, um paradigma novo de relacionamento para com a natureza, para com a Terra e para com os seres humanos” (p. 21). Porém o sentido de cuidado será explanado ao longo de toda a obra. “Cuidado é uma atitude de relação amorosa, suave, amigável, harmoniosa e protetora para com a realidade pessoal, social e ambiental” (p. 35). Cuidado como
preocupação com aquilo ou com quem nos sentimos ligados afetivamente; o cuidado como precaução e prevenção diante do futuro que pode nos trazer surpresas desagradáveis e efeitos danosos; e, por fim, o cuidado como holding, aquele conjunto de medidas e suportes que garantem segurança e paz (p. 127-128).

E ainda:
Cuidar consiste em uma forma de viver, de ser, de se expressar; é uma postura ética e estética frente ao mundo; é um compromisso com o estar-no-mundo e contribuir com o bem-estar geral, na preservação da natureza, na promoção das potencialidades, da dignidade humana e da nossa espiritualidade; é contribuir na construção da história, do conhecimento da vida (p. 227).

Boff cita o pediatra e pensador Winnicott, com sua teoria de base, o holding, que se traduz pelo
conjunto de dispositivos de apoio, sustentação e proteção, sem os quais o ser humano não vive. É da essência humana [...] a care (o cuidado), que se expressa nestes dois movimentos indissociáveis: a vontade de cuidar e a necessidade de ser cuidado. Isso é patente na relação mãe/bebê. Este precisa de cuidado sem o qual não vive e subsiste. E a mãe sente vontade e tem a predisposição de cuidar” (p. 30).

O cuidado é necessário no nível individual (cuidar de si e do outro) e no nível social e geral (cuidar da comunidade e da Terra), conforme a exposição do capítulo seis. As atitudes do cuidado humano devem contemplar o corpo e a alma, compreendendo o ser humano como uma realidade integral (homem-corpo e homem-espírito – p. 159; p. 187).
  
Preocupado com a vida e o futuro da Terra, Boff desafia e incentiva ações urgentes de precaução e prevenção. Na precaução se revê o que se está fazendo e que ameaça a terra, e na prevenção se estuda antecipadamente determinadas ações, afim de sequer iniciar algo que possa prejudicar as condições de vida das próximas gerações.
A base da argumentação do autor em prol da Terra é construída através do conceito de terra como Mãe Terra e Gaia, isto é, “um superorganismo vivo, que se autorregula e auto-organiza, respeitando seus ciclos” (p. 33), e da qual fazemos parte indissociavelmente. O homem é filho da Mãe Terra. O autor luta pelo reconhecimento da dignidade intrínseca da Terra, pois assim, “poderá ser iniciado um novo tempo, o da biocivilização, na qual a Terra e a humanidade reconhecem a recíproca, a origem e o destino comuns” (p. 88). Portanto, toda a violência que praticamos contra a Terra, praticamos contra nós mesmos. Para solidificar tal argumentação, Boff faz a seguinte leitura científica da vida:
Como Terra existimos já há 4,44 bilhões de anos, uma floração feliz de um processo evolucionário que começou há 13,7 bilhões de anos, quando surgiu o universo que conhecemos. Há 3,8 bilhões de anos irrompeu, de algum pântano ou mar primevo, a vida. Há 125 milhões de anos emergiram os mamíferos, a cujo gênero pertencemos, e com eles nos veio o afeto, o carinho e o amor. Há uns 70 milhões de anos emergiu nosso ancestral, que vivia na copa das árvores para escapar da voracidade dos dinossauros. Há 17 milhões de anos já nos separávamos dos primatas e nos fizemos antropoides, com traços que apontavam para a futura humanidade. Há 7 milhões de anos já éramos humanos, portadores de consciência e inteligência. E há 100 mil anos somos plenamente humanos, com um cérebro extremamente complexo, capaz de suportar um espírito cujo voo não se limita a este mundo, mas alcança as estrelas e se abre ao Infinito (p. 256).
    
            Diante disso, sem se preocupar com a tradição da teologia bíblica, Leonardo Boff mostra que o homem veio da Terra, do Universo, e portanto é parte dele – responsável e cúmplice – é filho e hóspede, e não senhor e dono. Tendo evoluído dos mamíferos, possui a razão cordial: o sentimento, o afeto e o carinho. No decorrer da evolução adquiriu também a inteligência intelectual e racional. É portanto, o único ser vivo, filho da Mãe Terra, capaz de cuidar da natureza, dos seres vivos e de si mesmo (p. 79), através da razão cordial (coração) [pathos – anima] e da intelectual [logosanimus] (p. 83-84). Suprimir uma em detrimento da outra é um erro. Exemplo disso é que a humanidade iniciou a maior onda de violência contra o sistema-Terra quando exaltou a Razão soberanamente sobre o coração. Nesta fase da história Boff diz que imperou o paradigma da conquista, o qual precisa ser urgentemente substituído pelo paradigma do cuidado, que por sua vez também oferece oportunidades de avanço e crescimento – porém de uma forma nobre e responsável.

            O livro parte para a conceituação do cuidado na filosofia. Em Heidegger, segundo Boff,
a verdadeira tarefa da filosofia deve se orientar pelo cuidado de si. Para ele (Heidegger), a realidade somente ganha seu sentido original quando interpretada como cuidado e como preocupação inquieta de si mesmo. [...] Do estudo de Santo Agostinho tira o conceito que vai aparecer em Ser e tempo acerca do “cuidado autêntico”. É aquele que cuida de si e, na liberdade realiza as possibilidades de se autoajudar (numa perspectiva de futuro). Também deriva dele o “cuidado inautêntico”, que é cuidar de si de maneira obsessionada, ocupando-se de tudo e menos de si mesmo, ou cuidando do outro de modo a torná-lo dependente e até submisso (p. 49).

            Através do estudo das cartas de São Paulo, Heidegger dá vida à expressão “o cuidado angustiante” e “a preocupação angustiada”. Jesus disse: não vos preocupei [cuideis] dizendo: “o que haveremos de comer e vestir? Não vos preocupeis [cuideis] com o dia de amanhã” (Mt 6:34-35). Com isso, Heidegger não está dizendo que é totalmente ilícito preocupar-se. Ele está pontuando que o ser humano por si mesmo (com suas próprias forças) não consegue livrar-se da inquietação e preocupação diante do futuro. Sua única chance é fazer do Reino de Deus sua preocupação primeira, então as demais preocupações e cuidados quanto às incertezas do futuro (a ansiedade e o cuidado angustiante) serão superadas. A fé do cristão lhe relembra que sua vida está na palma da mão de Deus. Por que se angustiar?
Estudando Aristóteles, Heidegger vai adiante e diz que o cuidado é a condição primeira do ser humano em relação ao mundo. O cuidado
é a fonte prévia de todos os comportamentos possíveis, sejam práticos, teóricos, conscientes ou inconscientes. Pelo fato de o ser humano ser portador de cuidado essencial, cria-se a condição para ele sentir-se conscientemente como um ser-no-mundo. [...] É, portanto, mais que uma mera inquietação; é a estrutura originária do Dasein, da existência humana, no tempo e no mundo. Ser homem/mulher é ser constituído de cuidado (p. 53).

Boff cita as palavras do próprio Heidegger: “o cuidado significa um fenômeno ontológico existencial básico”.

            Saindo da filosofia e partindo para uma área mais prática, com base no que já expôs, Boff pergunta: O que é preciso fazer para cuidar da Mãe Terra? Sua resposta baseada na Carta da Terra é: respeitar, reduzir, reutilizar e reciclar tudo o que é consumido. Rejeitar propagandas que incentivem o consumo insano e reflorestar o máximo possível os muitos estragos já feitos (p. 98). Além disso, trabalhar na produção de produtos orgânicos – excluindo transgenia e agrotóxicos. Outra iniciativa é o extrativismo, isto é, extrair solidariamente sem derrubar a floresta, aproveitando e preservando seus frutos, substâncias, óleos e outros ingredientes para cosméticos. São medidas práticas com vistas ao bem-viver, um ética de visão holística do ser humano na grande comunidade terrenal, sustentada sobre a decência e a suficiência para toda a comunidade, e não apenas e egoisticamente para o indivíduo ou minorias privilegiadas. O bem-viver busca um caminho de equilíbrio e “uma profunda comunhão com a Pacha Mama (Terra), com as energias do universo e com Deus” (p. 105) – conceito extraído da sabedoria dos andinos.

            O cuidado na ética social é abordado também em termos e conceitos jurídicos e filosóficos. Leis que não contemplam certos desfavorecidos e marginalizados da sociedade, beneficiam a violência moral e prejudicam a prática do cuidado. Quando isso acontece, enquanto não se resolve o problema jurídico, Boff diz, baseado em Tomás de Aquino, que “acima da justiça está o amor à humanidade e a todos os seres. O amor ao próximo é a regra de ouro, a suprema norma da conduta verdadeiramente humana” (p. 125). E qual a importância da justiça? No nível pessoal, justiça significa o conjunto de virtudes que possibilita relações harmoniosas com toda a realidade que nos cerca. No nível social, refere-se à promoção do bem comum por parte das instituições. Sem justiça não se pode construir uma sociedade realmente humana (p. 133). Novamente o animus e a anima estão presentes. As leis foram criadas em um mundo (ocidental) já dominado pelo animus, mais presente no masculino. Tais leis possuem também seu lado bom e verdadeiramente humano, mas por não dialogarem, especialmente com a perspectiva da anima, deixaram lacunas. O conceito mais profundo de justiça deve ser procurado também no que tem a dizer a anima, mais presente no feminino. E elas (neste ponto o autor cita várias filósofas e/ou feministas), ao contrário do que alguém poderia imaginar, vão dizer que “o tema do cuidado e respectivamente da justiça não são temas de gênero, mas da totalidade do humano” (p. 127). E o que, mais especificamente elas tem a dizer?
A dimensão da anima, da qual a mulher é especial portadora, capta primeiramente o mundo como valor do que como fato. Ela vê no fato mensagens e no visível capta o invisível. Ela possui um acesso ao real mais com o coração do que com a razão [...]. A tese que sustentamos em nossas reflexões é que o cuidado constitui uma dimensão essencial do humano, mas que ganha densidade e visibilidade maior na mulher. A condição dela é singular, sentindo o mundo a partir do significado que este carrega. Esta percepção é enriquecedora da ética porque leva em consideração o lado não apenas conceitual e institucional da realidade, mas também a sua densidade cotidiana e valorativa (p. 127).
           
            Ainda falando sobre a organização da vida em sociedade, segundo o paradigma do cuidado, as observações do capítulo onze são necessárias. Boff fala da importância da educação. Apressadamente, discerne quatro momentos no processo educativo do mundo ocidental: a educação na idade da razão – crítica; na idade técnica – criatividade; na idade das opressões – libertação; na idade da Terra – cuidado. O processo pedagógico nos legou a necessária coragem e capacidade de criticar, a arte de criar, a humildade de transpor a barreira professor/aluno, maior/menor, superior/inferior, libertando assim os oprimidos e fazendo-os participantes da construção do saber; mas, finalmente, resta a pergunta: onde ficou o cuidado? Na era em que estamos vivendo, a necessidade maior é a de inserir, ou melhor, discernir a presença e a importância do cuidado na educação. É preciso aprender e ensinar a cuidar (p. 254). É momento de quebrar as paredes das salas de aulas e ensinar ao ar livre, deixando que os alunos contemplem a natureza, estreitando seus laços com ela no campo das ideias (resgatando a razão sensível e cordial – p. 262). E o próprio campo das ideias, por sua vez, revelará que já existe uma ligação íntima entre humanidade a Mãe Terra. A sociedade que surgirá disso será diferente. Será cuidadora. Promoverá e respeitará a dignidade integral de cada elemento do Todo, e do Todo de cada elemento.  

            Cultivar e compreender a espiritualidade do homem é de suma importância para o cuidado, pois é através dela, a espiritualidade, que o homem conhece sua conexão com o Todo. “O extraordinário do homem-espírito é poder entrar em comunhão com Deus” (p. 190), desenvolver a capacidade de amar e perdoar (p.193), e de compadecer-se (p. 194) do outro e da Casa comum – a Mãe terra. Espiritualidade é abrir-se ao mistério do mundo e ao mistério maior, que é a Última Realidade, ou Deus (p. 199).

            Discorrendo sobre o cuidado na medicina e na enfermagem, Boff desenvolve um conceito de saúde que vai além da concepção biológica. Tal conceito ele chama de equilíbrio de corpo-mente-espírito-natureza (p. 205). Em suma, a saúde do homem só pode ser plena se ele estiver de bem com a Terra e se ela estiver bem. Se a Terra está doente, o homem está doente, e vice-versa. O cuidado na medicina e na enfermagem é indispensável porque o ser humano, “o doente”, é um corpo-espírito e espírito-corpo. Tem dignidade. Precisa ser tratado, ou melhor, cuidado como tal. É o que o autor chama de “visão de totalidade” – homem-corpo-espírito-Terra. Na visão da totalidade, a doença é vista como “uma fratura dessa totalidade e a cura como uma reintegração nela” (p. 218). Além disso, o ser humano é, por natureza, frágil. Prova incontestável de sua fragilidade intrínseca é a impossibilidade humana de livrar-se do luto. Cedo ou tarde, ele acontece (e no luto também é necessário um cuidado especial – p. 212-215). Neste sentido, ser saudável não consiste em estar livre de toda e qualquer fraqueza e sofrimento, “mas em poder conviver com eles com autonomia, crescer com eles, e se tornar mais plenamente humano” (p. 211).

            Boff conclui a obra defendendo-se preventivamente das críticas, dizendo: “Não são poucos os que, ao término da leitura deste livro, dirão: há nele coisas belas e até profundas, mas se trata de uma utopia”. Porém, diz o autor:
Seguramente há nele muito de utopia, mas de uma utopia necessária. Desta vez, ou a utopia se transforma em topia, concretizando-se de verdade, ou então nosso futuro comum, da vida e da civilização, estará em grave risco. Temos que tentar tudo para não chegarmos tarde demais ao verdadeiro caminho que nos poderá salvar. E esse caminho passa pelo cuidado e pela sustentabilidade (p. 269).

            A última frase do livro é uma mensagem de esperança e alerta: “Não abandone jamais a esperança, o sonho e a utopia. O futuro passa por aí” (p. 272).






[1] Resenha preparada para o curso de Pós-graduação em Aconselhamento Cristão da Faculdade Teológica REFIDIM, disciplina “Espiritualidade me interface com a teologia do cuidado”, ministrada pelo professor Me. Claiton Ivan Pommerening.
[2] Leonardo Boff (1938) doutorou-se em Teologia e Filosofia na Universidade de Munique, Alemanha, em 1970, sendo autor de mais de 80 livros nas várias áreas humanísticas.
[3] Éder Carvalho é formado em Letras Vernáculas pela Unopar Virtual, bacharel livre em Teologia EaD pela Faculdade Teológica Refidim, e pós-graduado em Aconselhamento Cristão na mesma instituição.