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31 maio, 2013

Descubra o privilégio ser você

                                                


                                            Textos base: Ef 3.8-10; 14-21; 1 Pd 1.10-12

Ef 3:8= “A mim, o menor de todos os santos, me foi dada esta graça de pregar aos gentios o evangelho das incompreensíveis riquezas de Cristo...” Comentário: Preso em Roma, considerando-se o menor dentre todos os santos, tendo consumido a vida quase que completamente em prol do Reino de Deus, Paulo ainda considerava-se privilegiado por ter sido chamado por Deus.

Ef 3:9= “e manifestar qual seja a dispensação do mistério, desde os séculos, oculto em Deus, que criou todas as coisas...” Comentário: Sim, houve algo oculto em Deus. Uma expectativa do desconhecido que alimentava os sonhos e as imaginações dos antigos profetas (desde os séculos...), a saber, “o grande mistério de Deus”.

Ef 3:10= “para que, pela Igreja, a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida, agora, dos principados e potestades nos lugares celestiais...” Comentário: Neste verso nos impressionamos ao ler que o incompreensível pode agora ser revelado não somente aos homens, mas até mesmo aos anjos e demônios. Por incrível que pareça, nós somos a expressão da multiforme sabedoria de Deus. Os anjos aprendem mais de Deus quando observam eu e você, a Igreja de Cristo na terra. O grande mistério de Deus que outrora esteve oculto, agora é revelado ao mundo e aos anjos por meio de Sua Igreja na terra.

Sabemos que o incompreensível não pode revelar-se em conceitos, mas pode revelar-se através da verdade na expressão da imagem e semelhança de Deus – você.[i] A nossa verdade-identidade foi restaurada com a vinda de Deus a nós. Ela havia se perdido no jardim do Éden quando erigimos uma barreira de pecado entre nós e Deus, mas Cristo veio para rasgar o véu da separação e destruir a barreira do pecado para que de novo pudéssemos chegar a Deus e nEle viver. Então tivemos a chance de recuperar o nosso verdadeiro “eu”. Basta que aceitemos ser aceitos pela graça de Deus para que esta restauração da nossa verdade-identidade aconteça.

Há algo de Deus em você que ninguém mais pode revelar ao mundo, porque você é único, imagem e semelhança de Deus, você carrega o fôlego de vida do Criador. Cada um de nós tem sua forma de revelar o Deus que vive para além do universo criado por Ele, mas que também vive em nós, que igualmente somos feitura dEle.

O QUE NOS DIFERENCIA DOS ANTIGOS PROFETAS? PORQUE ELES NÃO PUDERAM CONHECER O QUE ATÉ O MENOR DE NÓS PODE CONHECER?

“Os profetas que previram o presente momento fizeram muitas perguntas acerca do dom da vida que Deus estava preparando. O Espírito do Messias já havia revelado antes: que o Messias passaria por sofrimento seguido de glória. Eles queriam saber quem e quando. Tudo que informaram a eles que estavam servindo vocês, que por ordem do céu agora ouvem por vocês mesmos – por meio do Espírito Santo – a Mensagem do cumprimento daquelas profecias. Percebem como são privilegiados? Os anjos dariam qualquer coisa para se envolver nisso” (1 Pd 1:10-12 – A Mensagem).

“Por esta causa me ponho de joelhos diante do Pai... para que, segundo a riqueza da sua glória, vos conceda que sejais fortalecidos com poder, mediante o seu Espírito no homem interior; e, assim habite Cristo no vosso coração, pela fé, estando vós arraigados e alicerçados em amor, a fim de poderdes compreender, com todos os santos, qual é a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade, e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que sejais tomados de toda a plenitude de Deus” (Ef 3:14-19 - ARA).  

ComentárioO Espírito Santo é quem faz a diferença, não apenas entre nós e os antigos profetas, mas também entre nós e os anjos. O Espírito antes não podia habitar no profundo do coração dos homens, por causa do pecado, mas hoje (depois da cruz) Ele habita em nós. Hoje, Cristo em nós é que faz toda a diferença. Podemos conhecer mais dEle porque Ele, que é o próprio mistério, habita o nosso ser. Como se não bastasse tal maravilha, o ministério da revelação de Deus foi confiado às nossas mãos em muito maior expressividade e profundidade do que às mãos dos antigos profetas e ainda mais do que aos anjos. O mistério de Deus dá-se a conhecer por pessoas tão simples como nós, somente por causa do Espírito Santo, que conhece as profundezas de Deus e conhece as profundezas do nosso ser, e habitando nossa vida em sua plenitude, pode nos guiar a toda a Verdade, revelando ao mundo e aos anjos a multiforme sabedoria de Deus.

PORQUE VOCÊ É ESPECIAL?
1) O Espírito Santo está em você (Ef 3:16).
2) Os antigos profetas não puderam conhecer e revelar o mistério de Deus ao mundo como você pode fazê-lo por meio do Espírito (1Pd 1:10; Ef 3:5).
3) Os anjos não podem participar do ministério que o próprio Deus confiou a você (1 Pd 1:12; Ef 3:10).
4) Você pode conhecer o amor de Deus em todas as suas infinitas dimensões (Ef 3:18-19).
5) Você pode ser cheio da plenitude de Deus (Ef 3:19).

ACHA QUE TUDO ISSO JÁ É DEMAIS?

Ora, àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós, a ele seja a glória, na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre. Amém!” (Ef 3:20-21 - ARA). Glória a Deus na igreja! Glória a Deus no Messias Jesus! Glória por todas as gerações! Glória para todo o sempre! Amém! (Ef 3:21 – A Mensagem).

Deus pode fazer infinitamente mais do que tudo aquilo que nós achávamos que era demais, Ele pode ir muito além da nossa capacidade de sonhar e de imaginar.
É por isso que concordamos com o Rev. Hernandes Dias Lopes diz que esta oração de Paulo é a oração mais ousada da Bíblia (Ef 3:14-21).[ii] Baseado nela, posso dizer que há muito poder de Deus em você, há muito poder de Deus em nós (conforme o Seu poder que opera em nós), pois o Espírito Santo está em você, Deus está em Sua igreja.

O PRIVILÉGIO DE SER VERDADEIRAMENTE VOCÊ É PODER:
1) conhecer o amor de Deus
2) ser tomado de toda a plenitude de Deus
3) ser cheio do Espírito Santo
4) ser conhecedor do grande mistério de Deus, a saber, as incompreensíveis riquezas de Cristo e a multiforme sabedoria de Deus
5) cumprir o ministério de tornar conhecida aos homens e aos principados e potestades nos lugares celestiais a multiforme sabedoria de Deus (para a inveja dos anjos),
6) experimentar o “infinitamente mais” daquele que é digno de toda glória na igreja e em Cristo Jesus, em todas as gerações e para todo o sempre... Amém!

A todos, abraços e paz!
Twitter: @edercarvalho_  

REFERÊNCIAS



[i] Ver RAMOS, A. As muitas maneiras de ver Deus. Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=9KyVox_y3Z4> Acesso em 31/05/2013
[ii] LOPES, H.D. Você pode ser tomado de toda a plenitude de Deus. Disponível em: <http://hernandesdiaslopes.com.br/2012/02/voce-pode-ser-tomado-de-toda-a-plenitude-de-deus/#.Uai5lkDNWZU> Acesso em 31/05/2013

20 março, 2013

A Visão de Deus



A glória que não se desvanece

            No texto de Paulo (1Co 3.7-18), está escrito que Moisés trazia um véu sobre o rosto, por causa da glória de Deus que vinha sobre ele, quando ele encontrava-se com Deus - mas esta mesma glória se desvanecia pouco a pouco (Ex 34.28-35). Paulo então diz que a glória que nós temos hoje, não se desvanece, pois ela é Cristo que em nós habita, ela é o Espírito que nos revela a Verdade.
A glória no rosto de Moisés era apenas o resquício do esplendor da presença de Deus. Mas, quando ele pediu para ver a glória de Deus, o Senhor o respondeu que faria passar por ele toda a Sua bondade. Segundo Ariovaldo Ramos, a bondade de Deus se manifestou em Sua plenitude na pessoa de Jesus Cristo. (Ex 33.19-23). Por isso dizemos que a nossa glória, hoje, não se desvanece, pois desde que abrimos o coração para Cristo, Ele habita em nós, e Ele é em nós essa glória eterna.
Muito diferente disso, os judeus não convertidos não conseguiam enxergar Cristo na Escritura, o que mostra que também eles ainda carregavam um véu sobre o rosto. Nós, porém, que nos convertemos a Cristo, estamos com o rosto descoberto, o que nos permite ver o Cristo Eterno.

 

Pessoas ou coisas?

            O cego de Betsaida foi ministrado, e passou a ver os homens como árvores, e não como homens. E é mesmo assim a visão de quem olha através do véu da religião. Através do véu, a visão não é clara. Os rostos perdem seus traços, suas feições, características, peculiaridades, sentimentos, etc. Através do véu da religião você só enxerga árvores que podem ser cortadas e transformadas em cadeiras, folhas de papel, ou em qualquer coisa ou objeto rentável e útil. Através do véu você só enxerga o volume e a cor da lã da ovelha, e não o rosto dela. Quando olhamos através do véu, as pessoas deixam de ser pessoas para nós, e passam a ser coisas – meramente coisas (sem valor). A religião sem candelabro (Ap 2.4-5) nos rouba o amor, nos insensibiliza, nos catequiza nos dogmas da indiferença, da hipocrisia e da soberba. A religião sem candelabro (igreja sem Espírito Santo) nos arrasta para longe da cruz, onde o véu permanece intacto, Cristo não revelado, e a morte pelo pecado reinando soberana.

 

Arrepende-te de onde caíste

            Mas se dissermos “sim” ao convite radical de Jesus, arrependermo-nos de todo o nosso pecado, hipocrisia e prepotência, voltando ao Amor (Deus), ao evangelho e à cruz, então continuaremos sendo Igreja do candelabro, Igreja no Espírito Santo do Senhor, Igreja do Amor. Já não haverá impedimento algum, pois a cruz é o punhal que rasga o véu, e nos permite ver a Cristo, que, mantendo-nos nEle mesmo, nos transforma de glória em glória, segunda a Sua santa e magnífica Imagem. Se dissermos “sim” ao convite radical de Jesus, Ele removerá o véu e nos curará de nossa visão deficiente, e poderemos ver as pessoas como Deus as vê – teremos a visão de Deus.

 

A visão de Deus

            Segundo Lutero, Deus nunca olha para cima[1], pois a grandeza e a altura dEle não tem limite – ninguém é maior do que Ele. Da mesma forma, Deus nunca olha para os lados, pois não há ninguém como Ele. A visão de Deus sempre se projeta para baixo. Ele contempla os pequeninos. Ele olha para os humildes. Ele cuida dos desamparados. Ele consola os contristados (Sl 51.17). Ele está perto daqueles que tem um coração quebrantado (Sl 34.18). Mas, ao contrário de tudo isso, Ele resiste e abate os soberbos (Is 2.12). A visão através do véu gera soberba – a síndrome de Lúcifer, que ser como Deus – e a soberba invoca a ira e o juízo de Deus. Ser transformado de glória em glória significa olhar para baixo e viver de acordo com essa visão – que é uma visão que vem de Deus. Olhar para baixo significa importar-se, compadecer-se e amar os pequeninos, os humildes, os podres, os rejeitados e excluídos, os que estão nos lugares mais baixos da terra. Quanto mais olharmos para baixo, tanto mais veremos o que Deus vê.

 

Quando olhamos para baixo

            Quando olhamos para baixo, em missão, sem véu, enxergamos os pequeninos, e nos olhos deles, podemos contemplar um rosto Deus. “Porque tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-me; Estava nu, e vestistes-me; adoeci, e visitastes-me; estive na prisão, e fostes ver-me. Então os justos lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, e te demos de comer? ou com sede, e te demos de beber? E quando te vimos estrangeiro, e te hospedamos? ou nu, e te vestimos? E quando te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos ver-te? E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes” (Mt 25.35-40).

 

Transformados de glória em glória


Santidade

            Ser transformado de glória em glória significa ser santo, pois, segundo o texto de 2Co 3, só é transformado de glória em glória quem anda com o rosto descoberto, e se alguém está com o rosto descoberto, é porque descobriu a Liberdade do Espírito. Enquanto houver o véu, não haverá liberdade. Mas se o Filho nos libertar, verdadeiramente seremos livres (Jo 8.36). Somente Cristo pode remover o véu e nos fazer livres em Sua presença – livres para chegar ao santíssimo lugar. Onde o Espírito do Senhor está, ali há liberdade. Ele nos faz livres do pecado e seus desejos e inclinações malignas.

 

Missão

            O que acontece nesse processo é que o Senhor nos leva a trilhar um novo caminho, pois no momento em que o nosso rosto é descoberto, recebemos a visão de Deus, e então podemos trilhar o caminho dEle – de glória em glória – enxergando as pessoas (os perdidos e os pequeninos). Façamos a obra de Deus segundo a Sua visão de ministério para nós.

Pelo que, ó rei Agripa, eu não fui desobediente à visão celestial” (At 26.19).

A Ele seja a glória para sempre, amém!
Éder Carvalho



[1] LUTERO, Martim. A oração de Maria. São Leopoldo: Sinodal, 1999.

21 janeiro, 2013

O sermão da montanha na vida cotidiana (trabalho sobre aconselhamento pastoral)


Portanto, quem ouve estas minhas palavras e as pratica é como um homem prudente que construiu a sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram contra aquela casa, e ela não caiu, porque tinha seus alicerces na rocha” (Mateus 7.24-25).

INTRODUÇÃO

Estas palavras concluíram o famoso sermão da montanha, pregado por Jesus, possivelmente no ano 27 d.C. O Mestre estava dizendo que se os seus discípulos praticassem o ensinamento que haviam acabado de receber, estariam agindo prudentemente e garantindo uma vida de significado, sentido e paz. Chuva, rios e ventos não podem derrubar uma casa edificada sobre a rocha. Como conselheiros, se quisermos conduzir alguém a uma rica fonte de sabedoria e instrução diante das incógnitas, crises e perigos da vida, devemos apresentar a esse alguém o sermão da montanha. Nele estão contidas ricas lições e ensinamentos que conduzirão seus adeptos a uma vida saudável.

CONSOLO (Mt 5.1-12)

"Bem-aventurados os pobres em espírito, pois deles é o Reino dos céus. Bem-aventurados os que choram, pois serão consolados. Bem-aventurados os humildes, pois eles receberão a terra por herança. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, pois serão satisfeitos. Bem-aventurados os misericordiosos, pois obterão misericórdia. Bem-aventurados os puros de coração, pois verão a Deus. Bem-aventurados os pacificadores, pois serão chamados filhos de Deus. Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, pois deles é o Reino dos céus. "Bem-aventurados serão vocês quando, por minha causa os insultarem, perseguirem e levantarem todo tipo de calúnia contra vocês. Alegrem-se e regozijem-se, porque grande é a recompensa de vocês nos céus, pois da mesma forma perseguiram os profetas que viveram antes de vocês".

Um conselheiro cristão pode ver uso das bem-aventuranças para consolar alguém que esteja sofrendo as dores e injustiças da vida. Jesus diz que os que choram serão consolados e que há galardão preparado para os discípulos e servos injustiçados. Estamos diante de uma palavra que traz empatia – pois revela que outras pessoas de carne e osso também sofreram – e uma palavra de chamado – pois estas promessas direcionam-se aos discípulos-servos de Jesus. Ou seja, o conselheiro tem aqui uma oportunidade para levar o aconselhando a uma decisão por Cristo – se preciso (dependendo de cada caso). 

SERVIÇO E MINISTÉRIO (vs. 13-16)

"Vocês são o sal da terra. Mas se o sal perder o seu sabor, como restaurá-lo? Não servirá para nada, exceto para ser jogado fora e pisado pelos homens. "Vocês são a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade construída sobre um monte. E, também, ninguém acende uma candeia e a coloca debaixo de uma vasilha. Pelo contrário, coloca-a no lugar apropriado, e assim ilumina a todos os que estão na casa. Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai de vocês, que está nos céus".

Para ter uma vida plena não basta ser religiosamente cristão e crer na promessa de consolo, mas é preciso assumir um compromisso com a missão do Reino de Deus. É óbvio que algumas pessoas não estarão ainda nesse nível – mas devemos ter o objetivo de que elas cheguem lá. Afinal, encontrar seu lugar e função no mundo é algo incrivelmente capaz de carregar de sentido a existência de qualquer ser humano.

FÉ E ESPERANÇA (vs. 17-20)

"Não pensem que vim abolir a Lei ou os Profetas; não vim abolir, mas cumprir. Digo-lhes a verdade: Enquanto existirem céus e terra, de forma alguma desaparecerá da Lei a menor letra ou o menor traço, até que tudo se cumpra. Todo aquele que desobedecer a um desses mandamentos, ainda que dos menores, e ensinar os outros a fazerem o mesmo, será chamado menor no Reino dos céus; mas todo aquele que praticar e ensinar estes mandamentos será chamado grande no Reino dos céus. Pois eu lhes digo que se a justiça de vocês não for muito superior à dos fariseus e mestres da lei, de modo nenhum entrarão no Reino dos céus".

Ser chamado e achado entre os maiores no Reino dos céus é alimento para a esperança. Podemos ter fé que se praticarmos o ensinamento e a Palavra de Jesus teremos uma recompensa eterna dada pelo próprio Deus. Estava verdade dará força e ânimo para o aconselhando disciplinar-se na prática dos princípios bíblicos para o bem viver. Por certo este é um recurso muito útil nas mãos de um conselheiro cristão.

ÉTICA NOS RELACIONAMENTOS SOCIAIS (21-30)

"Vocês ouviram o que foi dito aos seus antepassados: ‘Não matarás’, e ‘quem matar estará sujeito a julgamento’. Mas eu lhes digo que qualquer que se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento. [...] "Portanto, se você estiver apresentando sua oferta diante do altar e ali se lembrar de que seu irmão tem algo contra você, deixe sua oferta ali, diante do altar, e vá primeiro reconciliar-se com seu irmão; depois volte e apresente sua oferta.[...] "Vocês ouviram o que foi dito: ‘Não adulterarás’. Mas eu lhes digo: qualquer que olhar para uma mulher para desejá-la, já cometeu adultério com ela no seu coração. [...]

A ética que Jesus apresenta previne de crises de relacionamentos dentro e fora da comunidade da fé. Todas estas recomendações afetam a vida social. Se alguém seguir tais conselhos terá uma vida pacífica e permeada de bons relacionamentos.

ÉTICA NO RELACIONAMENTO FAMILIAR (31-32)

"Foi dito: ‘Aquele que se divorciar de sua mulher deverá dar-lhe certidão de divórcio’. Mas eu lhes digo que todo aquele que se divorciar de sua mulher, exceto por imoralidade sexual, faz que ela se torne adúltera, e quem se casar com a mulher divorciada estará cometendo adultério".
Jesus empenha-se em construir um muro de proteção em torno da família. A Lei sempre protegeu as viúvas. Jesus fez mais que isso, ele preveniu. Embora a lei também prevenisse, Jesus foi além, dizendo que o não matarás também passa pelo ódio (e sabemos que o homicídio é um dos principais pais das viúvas), o adultério passa pelo pensamento, e o divórcio é a ruína última para uma família – ainda que existam caminhos de reestruturação. Na cultura judaica os homens tinham liberdade demasiadamente grande para rejeitar suas mulheres e largá-las ao desamparo de uma sociedade extremamente patriarcal. Em outras passagens Jesus explica com mais detalhes o caso do divórcio, mas este assunto foge do nosso foco.

INTEGRIDADE NA RELIGIOSIDADE (33-37)

"Vocês também ouviram o que foi dito aos seus antepassados: ‘Não jure falsamente, mas cumpra os juramentos que você fez diante do Senhor’. Mas eu lhes digo: Não jurem de forma alguma: nem pelo céu, porque é o trono de Deus; nem pela terra, porque é o estrado de seus pés; nem por Jerusalém, porque é a cidade do grande Rei. E não jure pela sua cabeça, pois você não pode tornar branco ou preto nem um fio de cabelo. Seja o seu ‘sim’, ‘sim’, e o seu ‘não’, ‘não’; o que passar disso vem do Maligno".

O ser humano não vive sem religião – inclusive os ateus. A religião fortalece a alma e fornece formas de amparo psicológico e espiritual. Fazer com que o homem enxergue a grandeza de Deus e incentivá-lo a viver a verdadeira religião cristã com integridade ajudará o indivíduo a preservar em si mesmo os benefícios de sua fé. Além de alcançarem este objetivo, estas palavras de Jesus também tiram a fé de uma dimensão abstrata e a trazem para a vida diária – realçando a importância de o homem ter palavra, ou seja, caráter.

ESPIRITUALIDADE CRISTÃ (38- 6.8)

"Vocês ouviram o que foi dito: ‘Olho por olho e dente por dente’. Mas eu lhes digo: Não resistam ao perverso. Se alguém o ferir na face direita, ofereça-lhe também a outra. [...] "Vocês ouviram o que foi dito: ‘Ame o seu próximo e odeie o seu inimigo’. Mas eu lhes digo: Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem, para que vocês venham a ser filhos de seu Pai que está nos céus. Porque ele faz raiar o seu sol sobre maus e bons e derrama chuva sobre justos e injustos. [...]  "Quando você der esmola, não anuncie isso com trombetas, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, a fim de serem honrados pelos outros. Eu lhes garanto que eles já receberam sua plena recompensa. Mas quando você der esmola, que a sua mão esquerda não saiba o que está fazendo a direita, de forma que você preste a sua ajuda em segredo. E seu Pai, que vê o que é feito em segredo, o recompensará". "E quando vocês orarem, não sejam como os hipócritas. Eles gostam de ficar orando em pé nas sinagogas e nas esquinas, a fim de serem vistos pelos outros. Eu lhes asseguro que eles já receberam sua plena recompensa. Mas quando você orar, vá para seu quarto, feche a porta e ore a seu Pai, que está no secreto. Então seu Pai, que vê no secreto, o recompensará. [...]

Dar a outra face, amar os inimigos e não amar a glória dos homens: estes conselhos não nos livram do sofrimento, mas trazem sentido para ele. A vingança só consegue trazer uma satisfação malévola e momentânea, pois ela também abre a porta para o ódio e a culpa. Por outro lado, o amor e o perdão trazem força para continuar a vida com virtuosidade e leveza.

ADORAÇÃO NA COMUNIDADE DA FÉ (vs. 9-18)

Vocês, orem assim: ‘Pai nosso, que estás nos céus! Santificado seja o teu nome. Venha o teu Reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu. Dá-nos hoje o nosso pão de cada dia. Perdoa as nossas dívidas, assim como perdoamos aos nossos devedores. E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal, porque teu é o Reino, o poder e a glória para sempre. Amém’. Pois se perdoarem as ofensas uns dos outros, o Pai celestial também lhes perdoará. Mas se não perdoarem uns aos outros, o Pai celestial não lhes perdoará as ofensas". "Quando jejuarem, não mostrem uma aparência triste como os hipócritas, pois eles mudam a aparência do rosto a fim de que os homens vejam que eles estão jejuando. Eu lhes digo verdadeiramente que eles já receberam sua plena recompensa. Ao jejuar, ponha óleo sobre a cabeça e lave o rosto, para que não pareça aos outros que você está jejuando, mas apenas a seu Pai, que vê no secreto. E seu Pai, que vê no secreto, o recompensará".

Jesus ainda fala sobre as práticas devocionais que seus discípulos deveriam cultivar. Tais práticas de adoração (oração, jejum, etc.) são capazes de levar o indivíduo a um estado de contemplação do mundo, de si mesmo e de Deus.  

VALORIZAÇÃO DO ESSENCIAL NA VIDA (19-34)
"Não acumulem para vocês tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem destroem, e onde os ladrões arrombam e furtam. Mas acumulem para vocês tesouros no céu, onde a traça e a ferrugem não destroem, e onde os ladrões não arrombam nem furtam. Pois onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração. [...]"Portanto eu lhes digo: não se preocupem com suas próprias vidas, quanto ao que comer ou beber; nem com seus próprios corpos, quanto ao que vestir. Não é a vida mais importante do que a comida, e o corpo mais importante do que a roupa? Observem as aves do céu: não semeiam nem colhem nem armazenam em celeiros; contudo, o Pai celestial as alimenta. Não têm vocês muito mais valor do que elas? Quem de vocês, por mais que se preocupe, pode acrescentar uma hora que seja à sua vida? "Por que vocês se preocupam com roupas? Vejam como crescem os lírios do campo. Eles não trabalham nem tecem. Contudo, eu lhes digo que nem Salomão, em todo o seu esplendor, vestiu-se como um deles. Se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada ao fogo, não vestirá muito mais a vocês, homens de pequena fé? [...]Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão acrescentadas. [...]

A sociedade em que vivemos é consumista ao extremo. Este mal gera uma insatisfação sem fim. Ninguém jamais poderá sentir-se feliz e completo desta forma. O sermão da montanha também nos ensina a enxergar a essência da vida e valorizá-la. Este ensinamento de Jesus também nos leva a descansar no cuidado de Deus, livrando-nos da ansiedade e estresse.

ALTO-CONHECIMENTO (7.1-6)

[...] "Por que você repara no cisco que está no olho do seu irmão, e não se dá conta da viga que está em seu próprio olho? Como você pode dizer ao seu irmão: ‘Deixe-me tirar o cisco do seu olho’, quando há uma viga no seu? Hipócrita, tire primeiro a viga do seu olho, e então você verá claramente para tirar o cisco do olho do seu irmão. "Não dêem o que é sagrado aos cães, nem atirem suas pérolas aos porcos; caso contrário, estes as pisarão e, aqueles, voltando-se contra vocês, os despedaçarão".

Perceber a trave no próprio olho é conhecer a si mesmo. Esta virtude nos faz mais misericordiosos no julgamento, pois ao conhecermo-nos a nós mesmos, percebemos que somos falhos e tão pecadores quanto qualquer outro ser humano. Além disso, nossa reação a Deus e a Seus princípios é que nos diferencia dos ímpios, pois eles (como porcos) pisam as pérolas. Este simples discernimento nos situa melhor e mais conscientemente no mundo que nos cerca.

PERSEVERANÇA (vs. 7-14)

"Peçam, e lhes será dado; busquem, e encontrarão; batam, e a porta lhes será aberta. Pois todo o que pede, recebe; o que busca, encontra; e àquele que bate, a porta será aberta. "Qual de vocês, se seu filho pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou se pedir peixe, lhe dará uma cobra? Se vocês, apesar de serem maus, sabem dar boas coisas aos seus filhos, quanto mais o Pai de vocês, que está nos céus, dará coisas boas aos que lhe pedirem! [...] "Entrem pela porta estreita, pois larga é a porta e amplo o caminho que leva à perdição, e são muitos os que entram por ela. Como é estreita a porta, e apertado o caminho que leva à vida! São poucos os que a encontram".

O conselheiro deparar-se-á com indivíduos que sofrem por causa da própria inconstância. O Mestre também ensina sobre o valor da perseverança em tudo, inclusive na oração e na busca pela presença e pelo favor de Deus.

CONHECIMENTO DO OUTRO E CONHECIMENTO DE DEUS (15-23)

"Cuidado com os falsos profetas. Eles vêm a vocês vestidos de peles de ovelhas, mas por dentro são lobos devoradores. Vocês os reconhecerão por seus frutos. Pode alguém colher uvas de um espinheiro ou figos de ervas daninhas? Semelhantemente, toda árvore boa dá frutos bons, mas a árvore ruim dá frutos ruins. A árvore boa não pode dar frutos ruins, nem a árvore ruim pode dar frutos bons. Toda árvore que não produz bons frutos é cortada e lançada ao fogo. Assim, pelos seus frutos vocês os reconhecerão! "Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos céus, mas apenas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: ‘Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? Em teu nome não expulsamos demônios e não realizamos muitos milagres? ’Então eu lhes direi claramente: ‘Nunca os conheci. Afastem-se de mim vocês, que praticam o mal!’"

Precisamos identificar os falsos profetas, pois eles causam muitos danos. Além disso, o sermão do monte nos desafia a conhecer o Senhor, para não sermos surpreendidos naquele Dia. Aqueles a quem ajudamos precisam fazer a vontade de Deus, pois sabemos que ela é boa, agradável e perfeita (Rm 12.2).

CONCLUSÃO

Os conselheiros cristãos possuem um riquíssimo material para instruir e ajudar pessoas; o sermão da montanha. Neste sermão, o Mestre Jesus trouxe-nos ensinamentos capazes de conduzir as pessoas a um viver sábio e significativo no mundo. Ouvir e praticar as palavras de Jesus é ser feliz (bem-aventurado) e garantir o sentido e a salvação da própria vida. Que possamos ser verdadeiros discípulos de Jesus, além de discipuladores no Reino de Deus.



REESE, Edward (Org.). A Bíblia em ordem cronológica: nova versão internacional. São Paulo: Editora Vida, 2003. p. 1048,1049.