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20 março, 2013

A Visão de Deus



A glória que não se desvanece

            No texto de Paulo (1Co 3.7-18), está escrito que Moisés trazia um véu sobre o rosto, por causa da glória de Deus que vinha sobre ele, quando ele encontrava-se com Deus - mas esta mesma glória se desvanecia pouco a pouco (Ex 34.28-35). Paulo então diz que a glória que nós temos hoje, não se desvanece, pois ela é Cristo que em nós habita, ela é o Espírito que nos revela a Verdade.
A glória no rosto de Moisés era apenas o resquício do esplendor da presença de Deus. Mas, quando ele pediu para ver a glória de Deus, o Senhor o respondeu que faria passar por ele toda a Sua bondade. Segundo Ariovaldo Ramos, a bondade de Deus se manifestou em Sua plenitude na pessoa de Jesus Cristo. (Ex 33.19-23). Por isso dizemos que a nossa glória, hoje, não se desvanece, pois desde que abrimos o coração para Cristo, Ele habita em nós, e Ele é em nós essa glória eterna.
Muito diferente disso, os judeus não convertidos não conseguiam enxergar Cristo na Escritura, o que mostra que também eles ainda carregavam um véu sobre o rosto. Nós, porém, que nos convertemos a Cristo, estamos com o rosto descoberto, o que nos permite ver o Cristo Eterno.

 

Pessoas ou coisas?

            O cego de Betsaida foi ministrado, e passou a ver os homens como árvores, e não como homens. E é mesmo assim a visão de quem olha através do véu da religião. Através do véu, a visão não é clara. Os rostos perdem seus traços, suas feições, características, peculiaridades, sentimentos, etc. Através do véu da religião você só enxerga árvores que podem ser cortadas e transformadas em cadeiras, folhas de papel, ou em qualquer coisa ou objeto rentável e útil. Através do véu você só enxerga o volume e a cor da lã da ovelha, e não o rosto dela. Quando olhamos através do véu, as pessoas deixam de ser pessoas para nós, e passam a ser coisas – meramente coisas (sem valor). A religião sem candelabro (Ap 2.4-5) nos rouba o amor, nos insensibiliza, nos catequiza nos dogmas da indiferença, da hipocrisia e da soberba. A religião sem candelabro (igreja sem Espírito Santo) nos arrasta para longe da cruz, onde o véu permanece intacto, Cristo não revelado, e a morte pelo pecado reinando soberana.

 

Arrepende-te de onde caíste

            Mas se dissermos “sim” ao convite radical de Jesus, arrependermo-nos de todo o nosso pecado, hipocrisia e prepotência, voltando ao Amor (Deus), ao evangelho e à cruz, então continuaremos sendo Igreja do candelabro, Igreja no Espírito Santo do Senhor, Igreja do Amor. Já não haverá impedimento algum, pois a cruz é o punhal que rasga o véu, e nos permite ver a Cristo, que, mantendo-nos nEle mesmo, nos transforma de glória em glória, segunda a Sua santa e magnífica Imagem. Se dissermos “sim” ao convite radical de Jesus, Ele removerá o véu e nos curará de nossa visão deficiente, e poderemos ver as pessoas como Deus as vê – teremos a visão de Deus.

 

A visão de Deus

            Segundo Lutero, Deus nunca olha para cima[1], pois a grandeza e a altura dEle não tem limite – ninguém é maior do que Ele. Da mesma forma, Deus nunca olha para os lados, pois não há ninguém como Ele. A visão de Deus sempre se projeta para baixo. Ele contempla os pequeninos. Ele olha para os humildes. Ele cuida dos desamparados. Ele consola os contristados (Sl 51.17). Ele está perto daqueles que tem um coração quebrantado (Sl 34.18). Mas, ao contrário de tudo isso, Ele resiste e abate os soberbos (Is 2.12). A visão através do véu gera soberba – a síndrome de Lúcifer, que ser como Deus – e a soberba invoca a ira e o juízo de Deus. Ser transformado de glória em glória significa olhar para baixo e viver de acordo com essa visão – que é uma visão que vem de Deus. Olhar para baixo significa importar-se, compadecer-se e amar os pequeninos, os humildes, os podres, os rejeitados e excluídos, os que estão nos lugares mais baixos da terra. Quanto mais olharmos para baixo, tanto mais veremos o que Deus vê.

 

Quando olhamos para baixo

            Quando olhamos para baixo, em missão, sem véu, enxergamos os pequeninos, e nos olhos deles, podemos contemplar um rosto Deus. “Porque tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-me; Estava nu, e vestistes-me; adoeci, e visitastes-me; estive na prisão, e fostes ver-me. Então os justos lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, e te demos de comer? ou com sede, e te demos de beber? E quando te vimos estrangeiro, e te hospedamos? ou nu, e te vestimos? E quando te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos ver-te? E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes” (Mt 25.35-40).

 

Transformados de glória em glória


Santidade

            Ser transformado de glória em glória significa ser santo, pois, segundo o texto de 2Co 3, só é transformado de glória em glória quem anda com o rosto descoberto, e se alguém está com o rosto descoberto, é porque descobriu a Liberdade do Espírito. Enquanto houver o véu, não haverá liberdade. Mas se o Filho nos libertar, verdadeiramente seremos livres (Jo 8.36). Somente Cristo pode remover o véu e nos fazer livres em Sua presença – livres para chegar ao santíssimo lugar. Onde o Espírito do Senhor está, ali há liberdade. Ele nos faz livres do pecado e seus desejos e inclinações malignas.

 

Missão

            O que acontece nesse processo é que o Senhor nos leva a trilhar um novo caminho, pois no momento em que o nosso rosto é descoberto, recebemos a visão de Deus, e então podemos trilhar o caminho dEle – de glória em glória – enxergando as pessoas (os perdidos e os pequeninos). Façamos a obra de Deus segundo a Sua visão de ministério para nós.

Pelo que, ó rei Agripa, eu não fui desobediente à visão celestial” (At 26.19).

A Ele seja a glória para sempre, amém!
Éder Carvalho



[1] LUTERO, Martim. A oração de Maria. São Leopoldo: Sinodal, 1999.

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